Reservas da Petrobras podem crescer 55% com potencial da Margem Equatorial

A confirmação de petróleo no poço Morpho, na Bacia da Foz do Amazonas, pode elevar as reservas provadas da Petrobras em até 55%, segundo estimativa do Itaú BBA.
A projeção parte do potencial de 5,7 bilhões de barris recuperáveis calculado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) para a bacia. Se esse volume for confirmado, as reservas provadas do Brasil como um todo cresceriam 33%. Para a Petrobras (PETR4), cujas ações negociam atualmente com alta de 0,75% a R$ 47,79, o Itaú BBA mantém recomendação de compra (Outperform) com preço-alvo de R$ 63 para 2027, implicando um potencial de valorização relevante frente ao nível intraday de terça-feira (18).
“Temos petróleo, temos descoberta. Não sabemos quanto ainda. Estamos extremamente otimistas com o que estamos descobrindo”, disse a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, em declaração.
O poço Morpho está sendo perfurado no bloco FZA-M-59, a 175 km da costa do Amapá, em lâmina d’água de 2.886 metros. A operação custa cerca de US$ 1 milhão por dia e já acumula aproximadamente US$ 300 milhões em investimentos – mais de R$ 1,5 bilhão. A sonda deve concluir a perfuração em cerca de 15 dias a partir de segunda-feira (17), com as amostras sendo enviadas ao Cenpes para análise detalhada de qualidade e volume.

O que a descoberta vale, por enquanto
O Itaú BBA qualifica o anúncio como positivo, mas enfatiza que se trata de uma fase inicial. Em exercício ilustrativo, se a Petrobras adicionasse cerca de 6 bilhões de barris equivalentes de óleo às suas reservas, o múltiplo EV/Reserva cairia de US$ 12,7 por barril equivalente para US$ 8,5 por barril equivalente, abaixo dos níveis de pares globais no setor. Essa projeção é do próprio Itaú BBA e parte de um cenário hipotético de confirmação integral do potencial da bacia.
O Bradesco BBI também avaliou o anúncio como relevante por abrir uma nova fronteira exploratória capaz de complementar o pré-sal e mitigar eventual queda da produção nacional após 2035.
O banco ressalta, porém, que o processo de confirmação comercial é longo e incerto. O campo de Búzios, maior referência do pré-sal, levou cerca de três anos entre a descoberta inicial e a declaração de comercialidade, e mais cinco anos até o início da produção na plataforma P-74. O conhecimento geológico da Margem Equatorial ainda é limitado, o que impede uma avaliação mais precisa sobre o impacto da descoberta na tese de longo prazo da companhia.
Além disso, a Petrobras aguarda licença do Ibama para perfurar mais três poços no mesmo bloco FZA-M-59 (PAD-Morpho, Manga e Crotalus). Sem essa autorização, a empresa não pode avançar para a fase de delimitação da descoberta. O plano de negócios da companhia reserva US$ 2,5 bilhões para a Margem Equatorial, com meta de perfurar 15 poços exploratórios na região, incluindo outros cinco em blocos distintos.

A corrida contra o pico do pré-sal
A urgência estratégica por trás da busca na Margem Equatorial fica clara na fala da CEO da Petrobras. Cerca de 80% do petróleo produzido no Brasil vem do pré-sal, e a presidente da estatal não poupa palavras sobre o que está em jogo: “A partir do pico, se não agirmos, seremos importadores de petróleo como no passado. Não tem futuro para uma empresa de petróleo sem exploração”, disse.
O pré-sal deve atingir seu pico de produção por volta de 2034 ou 2035. A partir daí, sem reposição de reservas, a produção nacional entra em declínio estrutural, ameaçando a posição do Brasil entre os dez maiores produtores do planeta e, no limite, obrigando o país a voltar a importar petróleo.

A Margem Equatorial concentra quatro bacias sedimentares, sendo Foz do Amazonas, Pará-Maranhão, Barreirinhas e Potiguar. O PDE 2035 do governo federal estima que a região pode conter ao menos 41 bilhões de barris de petróleo, enquanto a EPE projeta 5,7 bilhões de barris recuperáveis só na Foz do Amazonas. O interesse pela área ganhou força após megadescobertass nos países vizinhos Guiana e Suriname, que compartilham geologia similar.
A lógica de diversificação geográfica também responde a uma concentração histórica: os investimentos exploratórios do Brasil ficaram extremamente concentrados no Sudeste com o boom do pré-sal. “O grande mote da licitação era: vamos fazer essas áreas entrarem no jogo, porque precisamos descentralizar o investimento exploratório, que com o pré-sal estava extremamente concentrado no Sudeste”, afirmou Chambriard em declaração reportada pelo Poder360 nesta terça-feira (18).
Os próximos catalisadores concretos são dois. O primeiro é a conclusão da perfuração do Morpho, prevista para o início de setembro, quando os resultados das análises no Cenpes definirão a qualidade do óleo e orientarão a localização dos três próximos poços do bloco. O segundo, sem prazo definido, é a decisão do Ibama sobre as licenças para PAD-Morpho, Manga e Crotalus, etapa que determinará o ritmo de toda a campanha exploratória na Foz do Amazo



