Do fogo à enchente: especialista aponta como cada região do país pode sofrer com El Niño
Especialista apresenta panorama de riscos por todo o Brasil, em meio ao fenômeno que provoca chuvas, secas e altas temperaturas

Na última semana, tempestades provocaram estragos em municípios do Rio Grande do Sul, estado que permanece sob alerta da Defesa Civil para vendavais e granizo. Já no centro do país, o Distrito Federal enfrenta o cenário oposto: o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) atenta para cenário de seca extrema, com a umidade relativa do ar oscilando entre 20% e 12% — condição que eleva o risco de incêndios florestais e traz prejuízos à saúde.
Subindo o mapa, a situação é ainda mais crítica. No Rio Grande do Norte, o governo estadual decretou situação de emergência devido à severa estiagem.
Esse contraste marcante entre as regiões brasileiras é impulsionado, em grande parte, pelo fenômeno El Niño. Com frequência irregular, surgindo a cada dois a sete anos, o evento climático põe à prova a capacidade de preparação das cidades diante da imprevisibilidade da natureza.
A meteorologista Andrea Ramos explica o funcionamento do fenômeno, que é marcado pela interação de temperaturas entre o oceano e a atmosfera. Ele ocorre quando uma extensa área do Oceano Pacífico Equatorial se aquece acima da média, alterando a circulação dos ventos e a distribuição das chuvas em diversas partes do planeta.
Segundo a especialista, o panorama meteorológico nacional para os próximos meses aponta para um país dividido por extremos climáticos.
“No Brasil, isso pode favorecer mais chuva no Sul e, ao mesmo tempo, períodos mais secos e quentes em setores do Norte, Nordeste e Brasil Central”, aponta Ramos.
Embora seja um fenômeno natural, os efeitos do El Niño têm sido potencializados pelo aquecimento global, processo acelerado pela ação humana, sobretudo pela queima de combustíveis fósseis e pela emissão de gases do efeito estufa.
Preparação
Um novo boletim da Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), divulgado na semana passada, aponta 69% de chance de o El Niño atual evoluir para um dos maiores já registrados desde 1950.
Para a meteorologista, o cenário exige a rápida implementação de planos de contingência, comunicação eficiente de riscos, manutenção da rede de observação e preparação antecipada para lidar com realidades tão discrepantes entre os estados. Ela reforça, no entanto, que o momento pede cautela e planejamento, não pânico.
“O El Niño não significa que teremos desastres em todos os lugares, mas aumenta a probabilidade de eventos severos e muda o padrão de risco no país. Em 2026, a atenção precisa ser redobrada porque o fenômeno está se fortalecendo rapidamente sobre um planeta que já está mais quente, o que pode potencializar seus impactos”, pontua.



