‘Batizado’ contra Marrocos, Ancelotti promete: “Brasil contra o Haiti, voltará a ser Brasil”
Italiano sentiu o peso de decepcionar sendo treinador da Seleção em uma Copa do Mundo. E deixa claro que o time vai buscar a vitória

Filadélfia, direto dos Estados Unidos
Com o rosto denunciando os treinos intensos no verão norte-americano, Ancelotti tentava mostrar descontração. Mas nos pequenos gestos denunciava a tensão da obrigação pela vitória hoje, contra o Haiti, depois do empate contra Marrocos.
“Tenho experiência para lidar com a pressão. O resultado não foi bom e isso nos deixa um pouco críticos em relação à equipe, mas precisamos fazer uma crítica construtiva e positiva. Foi apenas o primeiro jogo.
“A Copa do Mundo não se ganha na estreia. Temos que buscar soluções. Trabalhamos nesses dias para tentar solucionar isso”, disse, deixando nas entrelinhas, o que fez.
Ancelotti fará mudanças significativas na equipe.
“Mudei a equipe no fim do primeiro tempo e podemos fazer fazer algumas mudanças para ter jogadores mais frescos. Não são mudanças apenas para melhorar o jogo, mas para buscar mais equilíbrio.
“Precisamos errar menos passes. Temos qualidade para fazer isso. Será um jogo intenso, contra jogadores do Haiti de qualidade, fortes e potentes. O pensamento da equipe é evoluir ainda mais”.
Ibañez deixará a equipe titular de vez. Danilo entrará na lateral. Paquetá também deverá perder seu lugar para Luiz Henrique.
Para fazer o Brasil voltar a ser Brasil nesta Copa, amanhã, às 20h30, no Lincoln Financial Field, aqui, na Filadélfia, o treinador apostará em quatro atacantes.
Pelo menos foi o time que mais treinou em New Jersey. Ele exigirá que Douglas Santos seja mais ofensivo, e que o Brasil seja mais agudo, dando apoio maior a Vinicius Júnior.
O técnico italiano acompanhou todas as informações sobre o Haiti. E apostará na velocidade e na técnica dos brasileiros diante da força física do time da Concacaf, que volta a uma Copa do Mundo depois de 1974.
Aliás, Ancelotti espera esse confronto.
O técnico do Haiti, Sébastien Migné, deverá montar sua equipe no 5-4-1. Ou seja, tentando tirar todo o espaço principalmente da intermediária.
Ancelotti deve dar uma nova chance a seu jogador de confiança, Casemiro.
Ele foi muito mal diante Marrocos, tomou cartão amarelo, mas o italiano fez dele seu líder, desde os tempos do Real Madrid. A grande mudança será no auxílio dos outros jogadores.
Ancelotti quer o Brasil se impondo mas sendo uma equipe bem mais coletiva. Daí Bruno Guimarães e Casemiro terem o auxílio, quando o Haiti tiver a bola, de Matheus Cunha, atuando como no Manchester United.
Mas Fabinho, que foi muito bem diante dos marroquinos, está de sobreaviso.
A aposta em Luiz Henrique frustrou muitos jornalistas, aqui nos Estados Unidos.
O desejo generalizado é que ele apostasse em Endrick, que os próprios jogadores queriam a escalação.
Mas Ancelotti usou a sua experiência para mostrar quem é que manda. Ele segue sua tese que o jovem atacante de 19 anos é indisciplinado taticamente.
“Endrick é um talento extraordinário. O Brasil vai aproveitar suas qualidades nesta Copa e também na próxima Copa do Mundo.
“Ele é paciente, não tem pressa e é muito maduro para a idade. Esse é um aspecto muito importante.
“Além disso, a família está muito próxima dele, o que é fundamental para um jovem. Vamos esperar o momento correto, porque ele será importante.”
Há a certeza que Endrick entrará na partida. Mas no decorrer do jogo. Não começando o confronto importante.
Mas será no esquema ousado, aberto com a bola nos pés, que o italiano aposta no Brasil buscando ser o Brasil. Em um ousado 4-2-4.
O Brasil terá muito apoio nas arquibancadas. As ruas da Filadélfia estão lotadas de homens e mulheres vestidos com a camisa amarela.
Os sorrisos de Ancelotti na coletiva de hoje escondem a preocupação.
Ele sabe que não teve tempo suficiente para montar uma equipe confiável, competitiva. Busca encurtar o tempo com treinos fortes que surpreenderam os próprios jogadores da Seleção, que vieram de final de temporada europeia.
Mas a cobrança para quem aceita ser treinador do Brasil sempre foi intensa, fortíssima.
Ainda mais ele, que é o primeiro estrangeiro a ter a coragem de comandar a Seleção em uma Copa do Mundo.
Não há outra saída a não ser buscar fazer o Brasil ser o Brasil.
Ainda mais uma equipe sem tradição, com jogadores muito mais limitados.
Ancelotti é pragmático.
Foi assim que ganhou cinco Champions League.
Mas comandando a Seleção contra o Haiti, ele não tem outra saída.
A não ser colocar o Brasil no ataque.
Mesmo com muitas pessoas suspirando de saudades de Neymar.
O brasileiro de maior talento segue em New Jersey, enquanto todo o time estará aqui, na Filadelfia.
Ele segue o tratamento para tentar ajudar o Brasil nesta Copa do Mundo.
Está difícil.
De longe, a ele só resta torcer para o time escolhido por Ancelotti.
Alisson, Danilo, Marquinhos, Gabriel Magalhães e Douglas Santos; Casemiro e Bruno Guimarães; Luiz Henrique, Raphinha, Matheus Cunha e Vinicius Júnior



