
A garotada saiu da sala de aula para aprender de perto com quem se dedica a manter os saberes tradicionais do Quilombo. São oficinas de música, artesanato, culinária típica e até a tradicional preparação da farinha de mandioca.
O Quilombo do Curiaú, em Macapá, é mais que uma bela paisagem; é território de memória, resistência e de uma riqueza cultural que atravessa gerações.
E para garantir que essa herança continue viva, as novas gerações estão mergulhando de cabeça nas tradições locais. Estudantes das escolas públicas estaduais Maria do Carmo Viana e Maria Neusa do Carmo trocaram as salas de aula tradicionais pelo Centro de Cultura Raízes do Bolão e pela Maloca da Tia Chiquinha, que fazem parte do projeto “Quilombo do Curiaú – território ancestral e potência criativa”, idealizado pelo músico Adelson Preto, onde a teoria dá lugar à prática

Os próprios moradores da comunidade e detentores dos saberes ancestrais assumiram o papel de professores. Nas mãos deles, pedaços de madeira e couro viram caixas de marabaixo e tambores de batuque; uma arte que exige paciência e muito respeito à história.

O aprendizado também passa pela força da roça. Os estudantes acompanharam de perto a tradição no preparo da farinha de mandioca do Curiaú – das técnicas de descascar até o ponto certo de torrar no paneiro.

No artesanato, a identidade do Quilombo ganha forma e textura; cada ponto, trançado ou moldura ensinado aos estudantes carrega técnicas que resistiram ao tempo. Mais do que produzir objetos, os jovens aprendem a transformar a matéria-prima em símbolos de orgulho, transformando a arte manual em uma ferramenta viva de preservação da história do Curiaú.

A força da palavra toma conta do espaço na oficina de contação de histórias. É na oralidade, um dos pilares mais fortes da cultura afro-brasileira, que o passado e o presente se encontram.

Ao ouvirem as memórias e narrativas conduzidas pela escritora, os estudantes descobrem que a história do Curiaú está viva na voz de quem guarda o passado, despertando neles o orgulho e o sentimento de pertencimento.

Até o passo a passo da gengibirra, a bebida tradicionalíssima que embala as manifestações amapaenses foi apresentada aos estudantes, numa imersão completa que conquistou a garotada.

Com o fim desta primeira etapa no coração do Curiaú, o projeto se prepara para invadir o ambiente escolar, levando essa explosão de cultura diretamente para dentro das salas de aula.
Mais do que oficinas, a iniciativa deixa uma semente plantada na mente e no coração de cada jovem: a certeza de que a força de um povo vem do respeito às suas raízes.



