Taça das Favelas Petrobras Feminina Amapá: Murici conquista título em final marcada por emoção e superação
Equipe venceu o Pantanal por 3 a 0 e levantou o troféu da primeira edição feminina da competição no estado. Disputa reuniu 12 comunidades, histórias de resistência e homenagens
- Texto: Mary Paes
O futebol feminino das comunidades amapaenses teve um sábado de festa, emoção e reconhecimento. O Murici é o grande campeão da Taça das Favelas Petrobras Feminina Amapá 2026. A equipe venceu o Pantanal por 3 a 0, neste sábado (31), no Complexo Esportivo Glicério de Souza Marques, em Macapá, e encerrou a competição com a conquista do título estadual. A decisão coroou uma trajetória iniciada em 20 de setembro, com a participação de 12 equipes de diferentes comunidades, em cinco rodadas de jogos que deram visibilidade ao talento e à força das mulheres dentro de campo.
A programação da grande final começou com a disputa pelo terceiro lugar, entre Perpétuo Socorro e Curiaú. Em uma partida movimentada, o Perpétuo Socorro criou boas oportunidades, mas encontrou dificuldades para transformar as jogadas em gols. O Curiaú aproveitou melhor as chances e venceu por 5 a 1, garantindo a terceira colocação. Anny Ramos, Alícia e Marica, marcaram para o Curiaú, enquanto Isabela descontou para o Perpétuo Socorro, em cobrança de pênalti.
Na sequência, todas as atenções se voltaram para o confronto entre Murici e Pantanal. Antes de a bola rolar, as duas equipes protagonizaram um momento de homenagem e respeito. Jogadoras e comissão técnica fizeram um minuto de silêncio em memória de duas mulheres importantes para as equipes, que faleceram durante o período da competição: Benedita da Costa Leão, mãe da jogadora Marcele, do Murici, e Maria do Socorro, sogra da técnica Luciane Almeida e tia e avó de parte das atletas do Pantanal.
Com a bola em jogo, os dois times entraram determinados a conquistar o troféu. O Murici conseguiu impor seu ritmo e construiu a vitória por 3 a 0, com dois gols de Vick e um de Paulinha CR7. A atacante Vick, que terminou o campeonato como uma das grandes protagonistas da competição, com sete gols marcados, comemorou a conquista e fez questão de reconhecer o mérito das adversárias.
“É minha primeira vez na Taça das Favelas e estou muito orgulhosa de nós e também do time adversário. A gente sabia que não seria um jogo fácil, porque conhecemos o outro time. Mas estou muito grata por tudo e pela confiança da minha equipe”, declarou a atacante, emocionada com a conquista.
Uma final também de resistência e memória
Do outro lado da decisão, o Pantanal encerrou sua participação com o vice-campeonato e uma história de superação que ultrapassou as quatro linhas. A equipe chegou à final mesmo enfrentando um momento de luto pela perda de Maria do Socorro, uma das grandes incentivadoras do time e presença muito querida entre as jogadoras.
A homenagem antes da decisão transformou o campo em um espaço de lembrança e carinho, mostrando que, para aquelas mulheres, o futebol também é feito de vínculos, histórias compartilhadas e pessoas que acreditam em seus sonhos.

Uma conquista coletiva para o futebol feminino do Amapá
Ao avaliar o encerramento da primeira edição feminina da Taça das Favelas no Amapá, a presidente da CUFA Amapá, Alzira Nogueira, destacou a felicidade de concluir com sucesso uma empreitada que envolveu planejamento, mobilização das comunidades e muito trabalho para colocar as atletas em campo.
Estou muito feliz por termos conseguido realizar e concluir essa competição com sucesso. Foi uma grande empreitada, que exigiu muito trabalho, dedicação e compromisso de toda a equipe. Ver essas meninas e mulheres ocupando o campo, mostrando seu talento e recebendo o reconhecimento do público é muito gratificante. Cada equipe que participou tem sua importância nessa história. Hoje, não é só o Murici que está de parabéns. Todas essas comunidades e todas as mulheres que acreditaram na competição são vencedoras. Conseguimos realizar uma grande festa para o futebol feminino do Amapá”, comemorou Alzira.
A competição terminou com a seguinte classificação: Murici em primeiro lugar, Pantanal em segundo e Curiaú na terceira colocação. As equipes receberam medalhas e premiações em dinheiro, do primeiro ao terceiro lugar.
O torneio feminino, não definiu apenas uma campeã, foi muito além, abriu espaço para histórias de mulheres que conciliam trabalho, maternidade, família e os desafios de permanecer no esporte.

A competição também representa uma oportunidade de projeção para as atletas que se destacaram ao longo do campeonato, com a possibilidade de integrar a seleção que representará o Amapá na etapa nacional da Taça das Favelas Petrobras Feminina 2026, em Curitiba, no Paraná.
A Taça das Favelas Petrobras Feminina Amapá 2026 conta com patrocínio master da Petrobras e realização do Ministério do Esporte, além da co-realização da CUFA Brasil e da Favela Holding. No Amapá, a organização é da CUFA Amapá, que fortalece, por meio do esporte, a inclusão, a cidadania e a transformação social nas comunidades. Apoio da Prefeitura de Macapá, por meio da Secretaria Municipal de Esporte e Lazer (SEMEL).
- Atendimento à imprensa: Mary Paes (96) 99179-4950



