Polícia Civil deflagra “Operação Sangria” contra esquema milionário de fraude e lavagem de dinheiro

A Polícia Civil do Estado do Amapá, por meio da Divisão de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (DRACO/PCAP), deflagrou a Operação Sangria com o objetivo de desmantelar uma organização criminosa investigada por um amplo esquema de fraudes financeiras e lavagem de dinheiro no estado.
A ação ocorreu simultaneamente em Macapá (AP) e em Brasília (DF), onde contou com o apoio operacional da Polícia Civil do Distrito Federal (PC/DF).
As ordens judiciais de busca e apreensão, expedidas pela Justiça Amapaense, foram cumpridas em seis endereços residenciais e em dez endereços empresariais ligados aos alvos, incluindo uma barbearia e outras companhias, distribuídos pela capital amapaense e pelo bairro Sudoeste, no Distrito Federal.
As investigações apontam que, entre os anos de 2022 e 2026, a organização criminosa agiu a partir da alta gestão de uma empresa privada, gerando um prejuízo patrimonial estimado em aproximadamente R$ 60 milhões de reais. Início da investigação
A apuração do esquema começou a tomar forma de maneira inusitada após um episódio ocorrido em abril deste ano (2026). Na ocasião, o principal investigado e então gestor da empresa acionou a polícia noticiando o suposto furto de quatro embarcações.
No entanto, a denúncia levou à abordagem forçada e indevida de dois advogados que prestavam serviço à empresa vítima. As diligências revelaram que a comunicação do furto foi uma fraude arquitetada pelo gestor para ocultar que ele próprio havia repassado as embarcações como garantia de pagamento a um suposto agiota, após acumular dívidas pessoais milionárias.
Como funcionava o esquema
A DRACO descobriu que a organização criminosa operava de forma estruturada, com divisão de tarefas entre um núcleo gerencial, um núcleo financeiro e um núcleo “noteiro”.
Diversas empresas de fachada (núcleo “noteiro”) foram alvos da investigação. Elas emitiam notas fiscais frias, simulando a prestação de serviços ou a entrega de mercadorias inexistentes. Os diretores financeiros da companhia, então, autorizavam o pagamento dessas notas, desviando e lavando os recursos de forma sistêmica.
Apreensões e próximos passos
O dinheiro desviado serviu para custear uma vida de luxo para os envolvidos, incluindo o pagamento de viagens, despesas familiares, aluguel de aeronaves privadas e o uso de recursos e mão de obra da própria empresa vitimada para construções particulares de alto padrão.
Somente o principal investigado teria recebido mais de R$ 13 milhões diretamente em suas contas pessoais e de familiares.
Durante a deflagração da Operação Sangria, as equipes policiais cumpriram a ordem judicial que autorizou a apreensão de diversas fontes de provas como celulares, computadores e mídias em geral, além de veículos e dinheiro em espécie.
A Justiça também já autorizou a extração forense e a quebra de sigilo dos dados consolidados nos dispositivos apreendidos.
Essas análises serão fundamentais para aprofundar o inquérito e mapear novos desdobramentos ou outros possíveis envolvidos no desvio milionário.



