Geral

PF reforça atuação no exterior e prende 21 foragidos da Justiça por mês desde 2023

Número de 2026 já equivale a 75% do total de 2025; governo atribui avanço à expansão da PF no exterior e à cooperação internacional

Entre janeiro de 2023 e agosto de 2026, 912 foragidos da Justiça brasileira foram presos no exterior para responder a processos de extradição, segundo dados de um documento em elaboração pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública. O número equivale a uma média de aproximadamente 21 prisões por mês no período.

As estatísticas mostram uma evolução ao longo dos anos. Foram 188 prisões em 2023, 243 em 2024, 275 em 2025 e outras 206 até agosto deste ano. O número de 2026 já representa quase 75% das prisões registradas em todo o ano passado.

O documento atribui o avanço principalmente à ampliação da cooperação internacional e da estrutura da Polícia Federal no exterior. A rede de adidâncias da corporação voltada ao combate aos crimes transnacionais cresceu 78% nesse intervalo, passando de 18 para 34 unidades, com atuação nos cinco continentes.

Segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública, também foi concluído em 2026 o ciclo de expansão previsto em um decreto de 2024, consolidando a presença da PF em 37 países. A estrutura permite que policiais brasileiros mantenham contato mais próximo com autoridades estrangeiras e atuem na localização de pessoas procuradas pela Justiça.

Outro fator apontado no documento é o uso das difusões vermelhas da Interpol, alertas internacionais que comunicam às autoridades de outros países que determinada pessoa é procurada e pode ser presa para fins de extradição.

O Brasil publicou 552 difusões vermelhas em 2023, 537 em 2024, 737 em 2025 e outras 486 até agosto de 2026. O aumento de alertas, combinado com a presença de agentes brasileiros no exterior e a utilização de canais de cooperação mais rápidos, é apontado como parte da estratégia para dificultar que criminosos procurados encontrem refúgio fora do país.

“A ampliação da capacidade operacional da PF no exterior, aliada ao fortalecimento das ações de cooperação jurídica e policial, permitiram o incremento das iniciativas de combate ao crime organizado, fortalecendo a segurança pública tanto no Brasil quanto fora do país. Diante do crescimento do número de ações de cooperação observado nos últimos anos, as expectativas apontam para o incremento no número de difusões publicadas, prisões de brasileiros procurados pela justiça brasileira no exterior e extradição desses procurados”, diz o documento.

Extradições e prisões de estrangeiros

Os dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública mostram ainda que, entre 2023 e agosto de 2026, foram concluídas 459 extradições para o Brasil, sendo 123 em 2023, 131 em 2024, 123 em 2025 e 82 nos oito primeiros meses deste ano.

Também houve prisões no Brasil de estrangeiros procurados por outros países. Foram 76 em 2023, 54 em 2024, 81 em 2025 e 53 até agosto de 2026, totalizando 264 prisões no período.

Cooperação internacional

O documento destaca a perspectiva de ampliar a estrutura de cooperação internacional nos próximos anos. Entre as iniciativas citadas está o acordo entre o Brasil e a União Europeia para ampliar a colaboração com a Europol, a agência de cooperação policial do bloco europeu.

O acordo foi assinado em março de 2025 e está em análise no Congresso Nacional por meio de um projeto de decreto legislativo, que tramita em regime de urgência na Câmara dos Deputados. A proposta prevê mecanismos para o compartilhamento de informações entre a Europol e a Polícia Federal em investigações relacionadas a crimes graves e transnacionais.

Na prática, o acordo cria uma estrutura para facilitar a troca de informações sobre organizações criminosas e pessoas envolvidas em crimes que ultrapassam as fronteiras. Entre os crimes abrangidos estão tráfico de drogas e de pessoas, lavagem de dinheiro, tráfico de armas, terrorismo, corrupção, crimes cibernéticos e crimes ambientais.

A proposta prevê ainda um ponto de contato brasileiro funcionando 24 horas por dia, sete dias por semana, na Polícia Federal, além da possibilidade de envio de oficiais de ligação à sede da Europol e da criação de um canal seguro para a transmissão de informações.

O texto estabelece salvaguardas para o compartilhamento de dados pessoais. As informações devem ser utilizadas dentro das finalidades previstas no acordo, e há restrições para o tratamento de dados sensíveis. O documento também prevê mecanismos para correção ou eliminação de informações incorretas e estabelece que os dados não podem ser utilizados para aplicação de pena de morte, tortura ou tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes.

Mostrar mais

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo