Petrobras deve retomar perfuração do Morpho na próxima semana na costa do Amapá
Conclusão do primeiro poço abrirá caminho para nova fase da campanha no FZA-M-59; Manga, Crotalus e Morpho Extensão serão usados para delimitar reservatórios e estimar volumes de petróleo e possível gás natural

por Luis Eduardo
A Petrobras deve retomar no início da próxima semana a perfuração do poço Morpho, no bloco FZA-M-59, na costa do Amapá. A informação foi divulgada nesta terça-feira (8) pelo Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.
A conclusão do Morpho é considerada uma etapa importante para que a companhia concentre esforços nos outros três poços já autorizados pelo Ibama no mesmo bloco: Manga, Crotalus e Morpho Extensão, também chamado de PAD-Morpho.
É a perfuração desses novos poços que permitirá à Petrobras avançar em uma das perguntas mais importantes desde a descoberta anunciada em agosto: qual é o tamanho dos reservatórios encontrados na costa amapaense e quanto petróleo poderá ser extraído?
Segundo a apuração, os novos poços também permitirão avaliar a eventual presença e o potencial de gás natural associado às estruturas investigadas.
NS-42 deixará o Amapá
A conclusão do Morpho também marcará uma mudança nas sondas utilizadas pela Petrobras na Margem Equatorial.
A NS-42 (ODN II), responsável pela perfuração do Morpho, deverá passar por manutenção depois de terminar o trabalho no Amapá.
Posteriormente, a unidade seguirá para a Bacia Potiguar, onde deverá atuar na exploração do poço Mãe de Ouro.
A informação foi dada pela presidente da Petrobras, Magda Chambriard, em entrevista ao Broadcast.
No Amapá, a continuidade da exploração do bloco FZA-M-59 ficará a cargo de outra unidade: a NS-43.
Ainda não existe, entretanto, data oficialmente definida para o início das perfurações com a nova sonda.
Três poços para saber quanto petróleo existe
A nova etapa será diferente daquela iniciada com o Morpho.
O primeiro poço comprovou a existência de hidrocarbonetos na estrutura. Em agosto, a própria Petrobras anunciou oficialmente a descoberta, e Magda Chambriard posteriormente confirmou publicamente que foi encontrado petróleo.
Agora, Manga, Crotalus e Morpho Extensão terão papel fundamental na delimitação dos reservatórios.
Na exploração de petróleo, encontrar hidrocarbonetos é apenas uma das primeiras etapas. É necessário compreender a extensão das estruturas, características das rochas, comportamento dos fluidos e estimar quanto do recurso poderá efetivamente ser recuperado.
O Morpho Extensão terá atenção especial por estar diretamente relacionado à descoberta original.
Os dados obtidos nessa nova campanha poderão permitir que a Petrobras avance nas estimativas de volume da acumulação e, posteriormente, avalie se existe viabilidade econômica para desenvolver um projeto de produção.
Ibama já autorizou novos poços
Na semana passada, o Ibama retificou a licença de operação do bloco FZA-M-59 e autorizou a inclusão dos três novos poços.
A decisão representou uma mudança importante no estágio da campanha exploratória.
Até então, a licença permitia apenas a perfuração do Morpho. Com a alteração, a Petrobras recebeu autorização ambiental para ampliar a investigação da área.
O Ibama determinou ainda que a companhia apresente um cronograma atualizado da campanha em até 30 dias após o recebimento da licença.
Esse cronograma deverá ser um dos próximos documentos importantes para a exploração de petróleo no Amapá, porque poderá esclarecer a sequência e as datas previstas para as novas perfurações.
Ainda não há declaração de comercialidade
Apesar dos avanços, a descoberta do Morpho ainda não pode ser classificada como comercialmente viável.
A Petrobras não divulgou até agora uma estimativa oficial de reservas recuperáveis nem declarou a comercialidade da descoberta.
Em seu comunicado original, de 14 de agosto, a companhia informou que identificou hidrocarbonetos por meio de perfis elétricos e indicativos em rocha e que a perfuração continuaria para aprofundar a avaliação exploratória.
A estatal já confirmou publicamente a descoberta de petróleo, mas ainda precisa determinar sua dimensão.
É justamente por isso que a próxima campanha ganha importância.
O Morpho respondeu à primeira pergunta: há petróleo?
Os novos poços deverão ajudar a responder a segunda: quanto petróleo existe?
Somente depois da reunião e análise desses dados será possível avançar para a questão decisiva para o Amapá: a descoberta possui volume e condições técnicas e econômicas suficientes para se transformar em um projeto comercial de produção?
A retomada do Morpho prevista para a próxima semana coloca a Petrobras mais perto de iniciar essa nova fase.



