Banner principalPetróleo Amapá

Ibama autoriza Petrobras a perfurar mais três poços na costa do Amapá

Novas perfurações no bloco FZA-M-59 poderão ajudar a dimensionar a descoberta do Morpho e avançar na avaliação do potencial de petróleo da região

por Luis Eduardo

O Ibama autorizou a Petrobras a perfurar mais três poços exploratórios no bloco FZA-M-59*, na Bacia da Foz do Amazonas, na costa do Amapá. A decisão representa um dos avanços mais importantes da campanha exploratória iniciada com o Morpho, onde a estatal encontrou petróleo em agosto.

Os novos poços são Manga, PAD-Morpho e Crotalus.

Até então, a licença ambiental permitia a perfuração apenas do Morpho. A Petrobras vinha negociando com o órgão ambiental a ampliação da campanha para avançar na investigação geológica do bloco.

Com a nova autorização, a empresa poderá dar continuidade à exploração e começar a buscar respostas para a principal pergunta que permanece desde a descoberta: qual é o tamanho da acumulação de petróleo encontrada na costa do Amapá?

PAD-Morpho será peça-chave

Entre as três novas perfurações, o PAD-Morpho desperta atenção especial.

O poço está diretamente relacionado à avaliação da descoberta realizada no Morpho e poderá fornecer informações adicionais sobre a continuidade e a extensão da acumulação.

Poços dessa natureza são fundamentais durante a avaliação de uma descoberta porque ajudam a determinar até onde o reservatório se estende e fornecem novos dados geológicos para estimativas de volume.

Essas informações serão necessárias para que a Petrobras avance na avaliação sobre uma eventual exploração comercial da área.

Até agora, a companhia não divulgou oficialmente o volume de petróleo existente no Morpho, estimativa de reservas recuperáveis ou declaração de comercialidade.

Portanto, a autorização dos três novos poços não significa que o FZA-M-59 já seja um campo comercial de petróleo. Ela permite justamente avançar nas investigações necessárias para determinar seu potencial.

Petrobras terá que apresentar novo cronograma

A autorização ambiental estabelece que a Petrobras apresente ao Ibama um *cronograma atualizado da campanha exploratória em até 30 dias* após o recebimento da licença.

Esse documento deverá indicar como a companhia pretende organizar as próximas operações no bloco.

A Petrobras já vinha realizando preparativos para a continuidade da campanha e confirmou anteriormente a utilização do navio-sonda *NS-43 Amaralina Star* nas próximas operações na Bacia da Foz do Amazonas.

A unidade deverá assumir atividades após a campanha realizada pela *NS-42/ODN II*, responsável pela perfuração do Morpho.

A companhia também discutiu com o Ibama a possibilidade operacional de utilizar mais de uma sonda no bloco, embora isso não significasse, naquele momento, a existência de um cronograma para perfurações simultâneas.

Descoberta ocorreu em agosto

A Petrobras anunciou em 14 de agosto a identificação de hidrocarbonetos no poço Morpho, oficialmente denominado *1-BRSA-1405-APS.

O poço está localizado a aproximadamente 175 quilômetros da costa do Amapá, em frente à região de Oiapoque, e a cerca de 500 quilômetros da foz do Rio Amazonas. A operação ocorre em águas ultraprofundas, com lâmina d’água de aproximadamente 2.886 metros.

Nos dias seguintes ao anúncio, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, confirmou publicamente que a descoberta envolve petróleo, mas ressaltou que ainda seria necessário determinar o tamanho da acumulação.

Em 17 de agosto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve no Amapá e visitou a NS-42, onde acompanhou as atividades relacionadas ao Morpho.

Petróleo está sendo analisado no Cenpes

Outra frente da investigação ocorre em terra. Uma amostra do petróleo retirado do Morpho foi encaminhada ao Cenpes (Centro de pesquisas da Petrobras), no Rio de Janeiro.

O material deverá passar por análises laboratoriais para determinar características do fluido encontrado no reservatório.

Esses exames ajudam a Petrobras a entender que tipo de petróleo foi descoberto, enquanto as novas perfurações contribuirão para responder quanto petróleo pode existir na estrutura geológica.

As duas informações serão fundamentais para avaliações futuras de viabilidade técnica e econômica.

Nova etapa começa no Amapá

A autorização do Ibama muda o estágio da campanha exploratória na costa amapaense.

Se o Morpho comprovou a existência de petróleo no FZA-M-59, os próximos poços terão a missão de ampliar o conhecimento sobre o sistema petrolífero e, especialmente no caso do PAD-Morpho, ajudar a dimensionar a descoberta.

A partir daí, a Petrobras poderá reunir dados suficientes para avaliar volumes recuperáveis, produtividade esperada, custos de desenvolvimento e outras variáveis necessárias antes de uma eventual decisão comercial.

O próximo documento importante será o cronograma atualizado da Petrobras.

Ele poderá revelar qual dos três poços será perfurado primeiro, quando a nova campanha começará e qual será a participação do Amaralina Star nas próximas operações.

Para o Amapá, começa agora uma etapa decisiva: descobrir se o petróleo encontrado no Morpho possui dimensão e características capazes de transformar uma descoberta exploratória em um projeto comercial de produção.

Mostrar mais

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo