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Projeto social leva esporte, disciplina e cidadania para crianças da zona sul de Macapá

Iniciativa gratuita aposta na prática de jiu-jitsu como ferramenta de inclusão, educação e desenvolvimento humano.

Texto: Thiago Soeiro

Para muitas crianças do bairro Congós, na zona sul de Macapá, vestir um kimono e subir em um tatame era uma realidade distante. Agora, por meio do Projeto Social de Jiu-Jítsu Ogun Ajaká Ilê Ijá, essa oportunidade se tornou possível. A iniciativa oferece aulas gratuitas para crianças de 6 a 12 anos e utiliza o esporte como instrumento de formação cidadã, disciplina, autoestima e inclusão social.

Desenvolvido no Ilê Axé Ibi Olufonnin, o projeto nasceu da experiência acumulada pelo espaço em outras ações sociais voltadas à comunidade. Segundo o coordenador da iniciativa, Sensei Patrick Maciel, o objetivo é oferecer alternativas para crianças que, muitas vezes, não têm acesso a atividades esportivas devido às dificuldades financeiras das famílias.

“Essa estratégia de desenvolver projetos sociais para os jovens da comunidade do entorno do terreiro já trouxe resultados muito positivos em outras ocasiões. No entanto, manter iniciativas como essa exige recursos financeiros e apoio de patrocinadores. Depois de um tempo sem realizar projetos desse tipo, surgiu a oportunidade e decidimos retomar esse trabalho”, explica.

O projeto iniciou as atividades atendendo 30 crianças e pretende ampliar esse número para 60 participantes, conforme novos parceiros se somem à iniciativa.

Mais do que técnicas de defesa pessoal, o jiu-jítsu é utilizado como uma ferramenta de educação e desenvolvimento humano. “O jiu-jítsu trabalha o corpo, mas também fortalece valores importantes para a vida. A modalidade ensina respeito, disciplina, organização, convivência em grupo, hierarquia e o cuidado com o espaço do outro. São princípios que ajudam diretamente na formação do caráter das crianças”, afirma o Sensei.

A gratuidade é um dos principais diferenciais do projeto. Sem cobrança de mensalidade ou taxa de inscrição, a iniciativa amplia o acesso ao esporte para famílias que dificilmente conseguiriam arcar com os custos de academias, equipamentos e uniformes.

“Sabemos que muitas famílias não têm condições de pagar uma academia ou comprar um kimono. Por isso, a procura tem sido muito boa. Os pais enxergam no projeto uma oportunidade para que seus filhos pratiquem esporte, aprendam valores e ocupem o tempo com uma atividade saudável”, destaca o Sensei Patrick.

Apesar da boa receptividade da comunidade, manter o projeto ainda representa um desafio.

“O maior obstáculo é garantir recursos para oferecer lanche às crianças, adquirir materiais, manter o espaço organizado e ampliar o número de atendidos. Hoje contamos com apenas dois patrocinadores, mas buscamos novas parcerias para fortalecer esse trabalho”, ressalta o mestre.

Embora tenha como foco principal o esporte, o projeto também aproxima famílias de um espaço que, para muitas delas, ainda era desconhecido. Segundo Pai Odé Olufonnin, Marcos, abrir as portas do terreiro para atividades sociais permite que a comunidade conheça de perto o trabalho desenvolvido no local e construa uma relação baseada no respeito e na convivência.

“Convidamos os pais para conhecerem o espaço e acompanharem as atividades dos filhos. Quando as pessoas entram no terreiro, percebem que aqui encontram um ambiente de acolhimento, educação e cidadania. Isso ajuda a desconstruir preconceitos e fortalece o respeito às diferentes tradições culturais e religiosas”, conta o Pai Odé Olufonnin

Para ele, valores presentes na filosofia africana, como respeito ao próximo, solidariedade e convivência coletiva, dialogam diretamente com os princípios ensinados dentro do tatame.

O próximo passo é ampliar o alcance da iniciativa, oferecendo uma estrutura ainda melhor para os participantes. As aulas acontecem todas as terças e quintas-feiras, no espaço localizado na 8ª Avenida, nº 1207, no bairro Congós.

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