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Irã ataca Bahrein após escalada de tensões com os EUA

Regime diz ter visado alvos ligados às forças americanas próximas do Estreito de Ormuz, após EUA retaliarem ataque iraniano a um navio de carga. Troca de hostilidades põe cessar-fogo em risco.

A Guarda Revolucionária do Irã anunciou neste sábado (27) ter atacado alvos ligados às forças americanas próximas do Estreito de Ormuz, sem especificar quais, em resposta a bombardeios dos Estados Unidos sofridos na noite anterior, na primeira troca de fogo entre os dois países desde a assinatura de um acordo para pôr fim ao conflito.

Também neste sábado, o Ministério do Exterior do Bahrein confirmou que o país foi alvo de “vários drones iranianos”, no que chamou de “clara violação de normas e convenções ocidentais que proíbem ataques a alvos civis e aterrorizar pessoas inocentes”.

O Bahrein, que é aliado dos EUA no Oriente Médio e abriga a 5ª Frota da Marinha Americana, reivindicou seu “pleno e legítimo direito a defender sua soberania, segurança e estabilidade em conformidade com o direito internacional”, e instou o Conselho de Segurança da ONU a “cumprir com suas responsabilidades para garantir a aplicação de sua resolução e exigir responsabilidades do agressor”.

Um petroleiro que trafegava pelo Estreito de Ormuz também foi atingido neste sábado por um “projétil não identificado”, informou a agência britânica de segurança marítima UKMTO.

“A embarcação sofreu danos na ponte de comando; todos os tripulantes estão a salvo”, informou a UKMTO.

O Irã não assumiu responsabilidade pelo ataque a esse navio, que trafegava próximo à costa do Omã, mas reafirmou sua autoridade para regular a passagem de embarcações pelo Estreito de Ormuz.

O chefe do comitê de segurança nacional no parlamento iraniano, Ebrahim Azizi, disse neste sábado que qualquer violação das orientações iranianas de navegação pelo estreito seria enfrentada de forma decisiva.

EUA afirmam ter retaliado ataque a navio de carga em Ormuz

As forças americanas dizem que os ataques de sexta-feira ao Irã foram uma retaliação ao ataque iraniano a um navio de carga no Estreito de Ormuz na quinta-feira, que contrariou um acordo de cessar-fogo firmado entre EUA e Irã para reabrir a hidrovia.

Aeronaves dos EUA tiveram como alvo depósitos de drones e mísseis iranianos, assim como bases de radar costeiras, declarou o Comando Central dos EUA (Centcom).

O comando militar justificou o ataque como uma “resposta firme” à ação iraniana de quinta-feira contra o navio M/V Ever Lovely, de bandeira de Singapura, no momento em que a embarcação deixava o Estreito de Ormuz, ao largo da costa de Omã.

O Centcom condenou a “agressão não provocada contra a navegação comercial por parte das forças iranianas”, afirmando que isso “violou claramente o cessar-fogo. Além disso, o comportamento perigoso do Irã comprometeu a liberdade de navegação em um momento em que o comércio flui cada vez mais por esse corredor de navegação internacional de importância vital”, observou o comando.

A guarda iraniana, por sua vez, acusou o navio de usar uma rota não autorizada no Estreito de Ormuz.

Um organismo marítimo multinacional supervisionado pela Marinha dos EUA informou neste sábado que ampliará uma rota próxima a Omã, no estreito, para permitir tanto o tráfego de entrada quanto de saída — possivelmente criando um novo ponto de tensão com Teerã.

O Irã insiste que os navios devem obedecer às suas ordens e está alertando que começará a cobrar taxas pela passagem pelo estreito, que antes do conflito escoava um quinto de todo o petróleo e gás natural comercializado no mundo.

Os Estados Unidos e os países árabes do Golfo rejeitam as exigências do Irã. O estreito é considerado em todo o mundo uma via marítima internacional, apesar de estar dentro das águas territoriais do Irã e de Omã.

Em seu comunicado, o Centro Conjunto de Informações Marítimas alertou que a ameaça para embarcações na região era “substancial”.

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