Política Nacional

Maioridade penal: entenda próximos passos da proposta que prevê redução de 18 para 16 anos

Texto ainda será analisado por comissão especial antes de ir ao plenário da Câmara

Aprovada pela CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara nesta quarta-feira (10), a PEC que reduz a maioridade penal de 18 para 16 anos ainda precisa passar por outras análises antes de avançar no Congresso Nacional.

O próximo passo é seguir para uma comissão especial, que ainda precisa ser instalada pelo presidente Hugo Motta (Republicanos-PB). O deputado Leur Lomanto Júnior (União-BA), presidente da CCJ, disse que vai cobrar celeridade na criação dessa comissão.

“Espero que, como foi na escala 6×1, o presidente Hugo Motta possa, de imediato, instalar a comissão especial, para que se possa aprofundar ainda mais no mérito esse tema que, sem sombra de dúvida, tem uma grande importância para o povo brasileiro”, declarou.

O colegiado é responsável por realizar audiências públicas e sugerir alterações no texto. Ao fim do prazo, é votado o relatório final.

Caso seja aprovado pela comissão especial, o texto será encaminhado para votação no plenário da Câmara, onde precisa passar por dois turnos. Para avançar, a PEC precisa ter votos favoráveis de 308 dos 513 deputados (3/5 do total).

Já no Senado, o texto também deve seguir para a Comissão de Constituição e Justiça da Casa Alta antes de ser colocado em pauta no plenário. Se for aprovada em dois turnos por pelo menos 54 senadores, a PEC será promulgada.

Obstáculo constitucional

No entanto, o debate não deve ser fácil, já que parte dos parlamentares não apoia a proposta. Segundo a advogada criminalista Emanuela de Araújo Pereira, o Congresso pode ter problemas para emplacar essa mudança.

“A redução da maioridade penal enfrenta obstáculo constitucional sério. O artigo 228 é amplamente interpretado pela doutrina como cláusula pétrea implícita, por integrar o núcleo de proteção dos direitos fundamentais da criança e do adolescente. Além disso, o Brasil é signatário da Convenção sobre os Direitos da Criança, que impõe obrigações de não regressividade nessa matéria”, analisa.

Votação na CCJ

Com um placar de 44 votos favoráveis a 18 contrários, a comissão aprovou o texto do relator Coronel Assis (PL-MT). O parlamentar juntou no parecer três propostas que tratam do assunto.

Embora tenha afirmado que a definição do texto final caberá à comissão especial, o relator defende um modelo em que a inimputabilidade continuaria sendo a regra para menores de 18 anos, mas adolescentes a partir de 16 anos poderiam responder criminalmente em casos específicos, como crimes hediondos, homicídio doloso e lesão corporal seguida de morte.

Assis removeu o trecho que previa que jovens de 16 anos seriam capazes de exercer plenamente todos os atos da vida civil, assim como os direitos e deveres políticos. Além disso, pela proposta, devem ser resguardados direitos dos adolescentes previstos em tratados internacionais, como a separação de jovens e adultos em unidades prisionais e o acesso à justiça especializada.

Atualmente, adolescentes que cometem atos infracionais graves são punidos com medidas socioeducativas de internação por, no máximo, três anos.

Mostrar mais

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo