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Drama das lesões: por que grandes craques estão fora da Copa do Mundo?

Fisioterapeuta esportivo explica que aumento do calendário de jogos é um dos principais motivos para contusões

A maior edição da história da Copa do Mundo enfrenta um grande problema às vésperas do torneio: a ausência de craques mundiais. Com um calendário de jogos mais robusto e o fim da temporada europeia se aproximando, muitos jogadores estão sendo vítimas de graves lesões que os deixarão de fora do maior espetáculo do calendário esportivo em junho.

E para os espectadores surge uma dúvida: por que tantas contusões próximas ao Mundial de 2026? Segundo o fisioterapeuta esportivo Vitor Kenji, isso é o resultado de uma temporada muito longa e pesada, somada ao calendário “inflado” de 2025/2026.

Por exemplo, o atual campeão da Champions e finalista do Mundial de Clubes, PSG, disputou 65 partidas oficiais nesta atual temporada. A equipe ainda tem quatro jogos do Campeonato Francês pela frente e dois jogos da Liga dos Campeões, caso passe pelo Bayern de Munique nas semifinais.

“O jogador vem de 10, às vezes 11 meses competindo praticamente sem parar. É o ponto de ruptura de um sistema que acumula fadiga crônica. São microlesões que vão acontecendo ao longo do tempo, sem recuperação completa. Aí, quando entra num jogo mais intenso ou decisivo, o corpo simplesmente não aguenta mais. Hoje o futebol exige muito mais explosão, mudança de direção, sprint. Isso sobrecarrega muito a musculatura. E, nessa reta final, o atleta já está jogando no limite físico; qualquer estímulo a mais pode virar lesão”, explica o especialista.

Aumento da lesão de atletas mais jovens em 2026

Em relação às últimas Copas, existe um aumento relevante no número de jogadores importantes lesionados e, sobretudo, atletas mais jovens. Em 2022, estrelas como Karim Benzema e Sadio Mané, vencedor e segundo lugar na Bola de Ouro daquele ano, foram as ausências mais marcantes. Contudo, ambos tinham 30 anos ou mais na época, aumentando o risco de uma contusão.

Em 2026, a idade não é mais um fator comum entre os lesionados. Rodrygo (25 anos), Hugo Ekitike (23 anos) e Éder Militão (28 anos) são desfalques já confirmados. A ausência mais recente será de Estêvão; o atacante brasileiro ficou de fora da pré-lista de Ancelotti enviada à CBF, na última segunda-feira (11), e só deve voltar aos gramados no segundo semestre de 2026.

“A preparação evoluiu muito em tecnologia e controle, mas o problema maior hoje não é nem a qualidade, é a quantidade. Os jogadores estão fazendo muito mais jogos por temporada. Antigamente já era pesado, mas hoje muitos chegam a 60, 70 partidas no ano. Hoje se monitora tudo: carga, aceleração, desgaste… está tudo mais preciso. Só que o corpo humano não mudou na mesma velocidade. Ele precisa de tempo para se recuperar, e esse tempo não está sendo respeitado. E tem o lado mental também. O atleta fica ansioso, com medo de perder espaço, de ficar fora da Copa… isso influencia diretamente no corpo”

O que pode ser feito para evitar mais lesões?

Segundo Kenji, no curto prazo, a solução para evitar mais lesões é melhorar o controle de carga e saber dosar treino, jogo e intensidade.

“O atleta de alto desempenho não é sinônimo de saúde; está sempre no limite. Fortalecimento específico também é fundamental, principalmente para prevenir lesões musculares. E o mais importante: ter uma equipe realmente integrada. Médico, fisioterapeuta, preparador físico, psicólogo, nutricionista, todo mundo falando a mesma língua”

Faltando menos de um mês para a Copa, o desejo dos clubes e atletas é de preservação máxima, mesmo que num momento decisivo de temporada, para evitar que mais jogadores de destaque mundial percam a oportunidade de representar as próprias seleções.

“No fim, o futebol é humano. O corpo não negocia com calendários; ele responde à física e à biologia. Preservar o atleta não é “mimar”, é inteligência estratégica. Como em qualquer empreitada humana, a grandeza está em respeitar os limites”, conclui Kenji.

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