Polícia

PF prende delegado, advogados e policiais penais durante operação contra o crime organizado no Amapá

Segundo a PF, a organização era altamente estruturada e gerenciava crimes como tráfico de drogas, associação para o tráfico, falsidade ideológica, prevaricação, corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro

Elden Carlos
Editor

A Polícia Federal (PF) e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Amapá, deflagraram na manhã desta quarta-feira (14) a operação “Queda da Bastilha”, para cumprir 22 mandados de busca e apreensão e 8 de prisão preventiva contra intrigantes de uma organização criminosa que atuava dentro e fora do Instituto de Administração Penitenciária do Amapá (Iapen). Os mandados de prisão foram expedidos pela justiça contra servidores públicos, advogados e presos do regime fechado. Também houve o bloqueio de contas bancárias.
Segundo a PF, a organização era altamente estruturada e gerenciava crimes como tráfico de drogas, associação para o tráfico, falsidade ideológica, prevaricação, corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro.

Investigação

As investigações iniciaram a partir da prisão da nutricionista Letícia Kenya Ferreira, de 28 anos, em 4 de fevereiro deste ano. Ela era gerente da cozinha do presídio e foi denunciada por intermediar a entrada de ilícitos no presídio. A prisão em flagrante ocorreu depois que câmeras de segurança do presídio mostraram a ação de Letícia passando droga para cozinha da cadeia. Naquele dia foram apreendidos 9 quilos de maconha e cocaína, 50 aparelhos celulares e 59 chips, além de uma arma de fogo. Para o esquema ela contava com o apoio direto do detento Rafael Mendonça Góes. No mês de março eles foram denunciados pelo Ministério Público do Estado.

Apuração

Foi apurado no decorrer do inquérito que o esquema dentro do presídio, além da entrada de drogas e armas, envolvia ainda o fornecimento de alimentação diferenciada para alguns internos, mediante pagamento, e de atestados médicos falsos para concessão de prisão domiciliar ilegal. Também se descobriu irregularidades no uso de tornozeleira eletrônica. As fraudes ocorriam com a participação de servidores da segurança pública, advogados, presos e policiais penais.

Comida privilegiada

A investigação revelou que um interno [com posto de liderança na organização] era responsável pelo esquema de venda de comidas conhecido na cadeia como ‘marmita da liberdade’. A comida diferenciada era entregue nas celas por um interno responsável pela manutenção elétrica e que tinha trânsito livre entre os pavilhões. Outros produtos chegavam a esses locais por intermédios de advogados e cobertura de servidores prisionais.

Aluguel de celulares e atestados médicos

Se apurou ainda que os celulares ilícitos eram escondidos na área da bomba d’água do instituto. Os servidores públicos investigados eram responsáveis pelo acesso dos presos aos aparelhos. Os internos que não tinham autorização, podiam alugar o celular pelo valor diário de R$ 100. Também ficou comprovado a existência de um esquema que concedia prisão domiciliar a presos do regime fechado por meio de expedição de atestados médicos falsos. Esses documentos afirmavam que o interno portava alguma doença grave e que ele não teria o tratamento médico necessário na prisão. Essa ação envolvia policiais penais e advogados. Em um dos casos o interno chegou a pagar R$ 150 mil pelo falso atestado.

Suborno

Outro esquema envolvia um delegado da Polícia Civil e uma das maiores lideranças criminosas do estado. As conversas entre eles foram extraídas de um aplicativo de mensagens. As conversas revelam uma série de esquemas, inclusive, com a tentativa de suborno de membros do judiciário amapaense. As mensagens mostram que a autoridade policial teria tentado abrigar esse líder em sua própria residência, depois que o criminoso deixou a cadeia, porém, eles decidiram alugar um imóvel.

Tornozeleiras e movimentação bancária

Outra revelação está ligada às tornozeleiras eletrônicas. Presos que sairiam mediante uso do aparelho de monitoramento pagavam R$ 2 mil para serem liberados sem uso do equipamento. Também se identificou recebidos e comprovantes de pagamentos que mostram movimentações milionárias entre contas bancárias dos envolvidos

A justiça ainda ordenou o bloqueio de valores nas contas bancárias e aplicações financeiras dos investigados. Os delitos apurados até o momento são tráfico de drogas, associação para o tráfico, organização criminosa, corrupção ativa e passiva, prevaricação, falsidade ideológica e lavagem de capitais. As penas somadas, em caso de condenação, podem chegar a 60 anos de prisão.

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