Copom: mercado se divide entre manutenção e corte da taxa de juros
Copom decide juros em meio à piora fiscal e incertezas externas, com mercado dividido sobre os próximos passos da política monetária

O Comitê de Política Monetária (Copom) decide, nesta quarta-feira (17/6), a condução da política monetária no Brasil. Após duas reduções consecutivas de 0,25 ponto percentual, que levaram a taxa Selic de 15% para 14,50% ao ano, o Banco Central (BC) se vê agora diante de um cenário ainda mais complexo, marcado por deterioração fiscal, inflação resistente e aumento das incertezas externas.
O mercado financeiro está dividido sobre a decisão. Enquanto uma ala defende a manutenção dos juros, outra ainda vê espaço para um corte adicional de 0,25%, embora com menor convicção do que nas reuniões anteriores.
Até pouco tempo, no entanto, predominava entre economistas a avaliação de que o Copom daria continuidade ao ciclo de queda de forma gradual, mantendo o ritmo de cortes.
Apesar disso, a piora do ambiente fiscal do país levou a uma mudança significativa das expectativas. A leitura dos economistas é que o risco aumentou, os juros futuros subiram e parte do mercado passou a considerar mais prudente uma pausa no processo de flexibilização, ao menos até que haja maior clareza sobre a trajetória das contas públicas.
A dificuldade do governo em avançar em medidas estruturais de ajuste, somada à pressão por gastos e à tramitação de “pautas-bomba” no Congresso, com impacto potencial de R$ 111 bilhões por ano, tem elevado o prêmio de risco exigido pelos investidores.
Inflação e cenário externo
Esse movimento afeta diretamente a curva de juros e tem contaminado as expectativas de inflação. A inflação acumulada de 12 meses, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) está em 4,72% , acima do centro da meta, de 3% ao ano, e as projeções para horizontes mais longos vêm sendo revisadas para cima de forma persistente.
Esse comportamento sugere que o processo de convergência para a meta pode ser mais lento, o que justificaria uma postura mais conservadora do Copom.
O cenário externo também adiciona complexidade na decisão do colegiado. A volatilidade internacional aumentou nas últimas semanas, em meio a tensões geopolíticas envolvendo oOriente Médio e incertezas sobre a política monetária mundial, principalmente com relação aos Estados Unidos, que voltou a adotar um tom protecionista e a ameaçar países com taxas comerciais.



