Operação “Mulher Segura” resulta na libertação de mãe e filhos em cárcere privado
Ação coordenada pela Sejusp contou com apoio operacional do Grupamento Tático Aéreo (GTA)

Uma ação tática complexa pelo Rio Amazonas, executada pelas forças de segurança do Amapá nesta quinta-feira, 4 de junho, no âmbito da Operação Mulher Segura, resultou no resgate de uma mulher de 31 anos e os dois filhos, uma criança de quatro anos e outra menina de 15 anos. Segundo relatos das vítimas, elas foram mantidas em cárcere privado e tortura sistemática em uma região ribeirinha isolada de Macapá, conhecida como Rio Fugido.

Após uma incursão de reconhecimento por equipes da Secretaria de Estado da Justiça e Segurança Pública (Sejusp) constatar que o local era de difícil acesso, os operadores coordenaram uma ação baseada na variação da maré para garantir rápida resposta e o elemento surpresa na abordagem, devido ao grau de violência do suposto agressor.
“No Amapá a tolerância é zero para agressores de mulheres e meninas. Foi um trabalho rápido de investigação aliado à integração e inteligência. Os relatos já importam situações de tortura ao longo de 15 anos, em que a vítima e suas filhas foram agredidas de forma constante e tivemos êxito na resposta e no resgate dessa família”, enfatiza o secretário da Sejusp, delegado Cézar Vieira.
Durante a investida, realizada com suporte de embarcação do GTA, o agressor de 34 anos atentou diretamente contra a vida dos operadores de segurança. Para cessar a injusta agressão e salvaguardar a integridade da família, os policiais responderam à ameaça, contendo e neutralizando o indivíduo no local. Logo ao amanhecer, as vítimas foram extraídas da área com apoio do Gavião 01 do GTA e transportadas até a zona urbana de Macapá.

Os depoimentos da mulher e da filha de 15 anos apontam que a mãe sofria torturas físicas e psicológicas, além de exibir graves lesões de cortes nos braços e pernas causados por golpes de terçado, segundo a vítima, deferidos quando o homem não concordava com o jantar que ela havia preparado ou sob uso constante de bebida alcoólica.
“Eles trabalhavam aqui como apanhadores de açaí. Ela sustentava a casa e os filhos. A gente conta com o apoio da população. A comunidade via essa senhora constantemente agredida, ela não denunciava por medo. Agora está com os órgãos de apoio e será amparada”, reforça o capitão Bryan Fonseca, subcoordenador do GTA.
A denúncia aconteceu após atendimentos médicos realizados à vítima após uma das agressões, obtidos na comunidade de Carapanatuba. Lá, foram apontadas marcas antigas de agressões da mesma natureza, inclusive com o uso de navalhas, além do registro de que outros três filhos da mulher já tinham sido retirados da guarda pelo Conselho Tutelar do Pará pelo mesmo padrão de violência.
Agora, em integração com órgãos da Rede de Atendimento à Mulher (RAM), as vítimas foram encaminhadas pela Sejusp para a Casa da Mulher Brasileira, onde recebem acolhimento, escuta e abrigo até a localização dos familiares no Estado do Pará.




