Economia

PIB cresce 1,1% no primeiro trimestre de 2026 e especialistas apontam economia resiliente

Dados do IBGE são referentes ao primeiro trimestre do ano; destaque foi para agropecuária e indústria

A economia brasileira cresceu 1,1% no primeiro trimestre de 2026 em relação aos últimos três meses de 2025, segundo dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). 

O resultado representa uma aceleração frente ao quarto trimestre do ano passado, quando o PIB (Produto Interno Bruto) havia avançado 0,3%, e ficou em linha com as projeções do mercado financeiro.

Em valores correntes, o PIB totalizou R$ 3,3 trilhões, sendo R$ 2,8 trilhões referentes ao valor adicionado a preços básicos e R$ 461,2 bilhões aos impostos sobre produtos líquidos de subsídios.

Os dados mostram que a agropecuária cresceu 2% no trimestre, enquanto a indústria avançou 1% e os serviços tiveram alta de 0,5%. Entre os destaques positivos da indústria estão a extração mineral, com crescimento de 3,6%, e a construção civil, que avançou 2,9%.

‘Resistência econômica’

Para a pesquisadora e professora de economia da PUC-SP, Cristina Helena de Mello Pinto, o resultado reforça a percepção de que a economia brasileira continua demonstrando resistência mesmo diante do cenário de juros elevados.

“O crescimento sinaliza que a economia brasileira segue mostrando resiliência, apesar do ambiente de juros ainda elevados, de condições financeiras mais restritivas e do contexto global”, comenta.

Para a economista, na prática, o resultado indica um ritmo de atividade melhor do que se imaginava há alguns meses, mas ainda distante de uma aceleração pretendida.

“O mercado interpreta esse desempenho como um sinal de que a desaceleração esperada para 2026 deve ocorrer de forma gradual, e não abrupta”, diz.

Cristina também destaca que o crescimento da indústria ocorreu de forma concentrada em setores específicos. Agropecuária se destacou, com crescimento de 2%; depois, apareceram indústria (1%) e serviços (0,5%).

“O desempenho positivo da indústria, puxado principalmente pela construção civil e pela extrativa mineral, mostra uma retomada ainda bastante concentrada em setores ligados a investimento em infraestrutura, commodities e demanda específica. Por outro lado, a estabilidade da indústria de transformação revela que a recuperação ainda não alcançou de forma mais ampla os segmentos industriais de maior valor agregado e mais sensíveis ao consumo doméstico e ao crédito”, explica.

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