Brasil prepara exportação recorde de café com 50 milhões de sacas, safra histórica e estoques globais baixos
Contudo, El Niño ameaça a florada e pode mudar preços, vendas e abastecimento em plena corrida do mercado internacional

O café brasileiro pode entrar em uma temporada histórica de exportações a partir do novo ciclo agrícola, que começa em julho, com embarques próximos de 50 milhões de sacas. Com estoques globais baixos, o El Niño vira ameaça à florada e pode mexer com preços, vendas e abastecimento.
A expectativa de avanço vem de uma combinação rara: produção elevada no Brasil, estoques baixos nos países consumidores e preços ainda relevantes no mercado internacional. Mas o cenário não está livre de risco. O possível retorno do El Niño entrou no radar por causa do impacto que o calor pode ter sobre a florada da próxima safra.
Brasil pode superar recorde histórico de exportação de café
O Brasil, maior produtor e exportador mundial de café, deve ampliar seus embarques no novo ano-safra. A projeção citada para o ciclo 2026/27 indica que as exportações de café verde podem chegar perto de 50 milhões de sacas, caso a produção nacional confirme o desempenho esperado.
Esse número chama atenção porque supera o recorde anterior de 46,3 milhões de sacas de café verde, alcançado em 2024. Se a previsão se confirmar, o país reforça ainda mais sua posição como principal abastecedor global do grão.
A movimentação mais forte deve aparecer a partir de julho ou agosto, quando volumes maiores começam a chegar ao fluxo de embarques. Isso coincide com o início do novo ciclo comercial e com a entrada gradual da nova safra.
O avanço também ocorre em um momento de estoques internacionais apertados. Depois de quebras ou limitações produtivas em alguns países importantes, consumidores globais dependem mais da oferta brasileira para recompor reservas.
Safra histórica sustenta expectativa de 50 milhões de sacas
A força das exportações está ligada à perspectiva de uma safra elevada. Uma estimativa para 2026/27 aponta produção brasileira de 75,8 milhões de sacas de 60 kg, enquanto outro levantamento com produtores projeta 71,4 milhões de sacas, alta de 11,5% sobre a temporada anterior.
Mesmo com diferença entre projeções, o ponto central é o mesmo: o Brasil caminha para uma safra grande. Essa combinação de produtividade, área cultivada e clima favorável abriu espaço para uma aposta em exportações recordes.
O levantamento com produtores também estimou produção de 47,9 milhões de sacas de arábica, alta de 13,5%, e 23,5 milhões de sacas de robusta, crescimento de 7,6%. A área total cultivada com café teria avançado 2,97% no comparativo anual.
As chuvas fora de época foram apontadas como fator positivo para a lavoura. Além disso, preços elevados permitiram maior aplicação de insumos, ajudando produtores a manter cuidados importantes com a safra.
Estoques globais baixos aumentam dependência do Brasil
O mercado internacional chega a esse momento com estoques reduzidos em países consumidores. Esse aperto veio depois de problemas produtivos em grandes regiões fornecedoras, o que ajudou a elevar preços nos últimos anos.
Nesse contexto, o café brasileiro passa a ter papel ainda mais estratégico. Quando os estoques externos estão baixos, qualquer aumento consistente de embarques do Brasil pode aliviar a pressão sobre compradores internacionais.
A expectativa é que os volumes brasileiros ajudem a recompor parte dessas reservas. Países importadores tendem a observar não apenas o tamanho da safra, mas também a velocidade com que produtores e exportadores colocam café no mercado.
Esse movimento pode influenciar contratos, prêmios, negociações futuras e decisões de compra. Em um mercado apertado, a safra brasileira não afeta apenas o produtor nacional; ela mexe com torrefadores, traders e consumidores em diferentes regiões do mundo.
Mercado invertido pode acelerar vendas dos produtores

Outro fator importante é a estrutura de preços. A fonte aponta que o mercado está invertido, ou seja, os preços atuais aparecem mais altos do que os preços futuros. Isso pode incentivar produtores a vender mais rapidamente.
Quando o produtor percebe que o preço de hoje é mais vantajoso que o preço projetado adiante, a tendência é acelerar parte das negociações. Esse comportamento pode aumentar o fluxo de café nos primeiros meses do ciclo.
Essa dinâmica é relevante para exportadores porque ajuda a formar oferta disponível para embarque. Com a colheita avançando e compradores buscando recomposição de estoques, o ritmo de venda pode se tornar peça central do mercado.
Ainda assim, esse comportamento pode mudar conforme o clima. Se o El Niño trouxer risco maior à próxima florada, produtores podem reduzir a velocidade das vendas para esperar preços mais altos no futuro.




