
O aumento do preço do querosene de aviação (QAV), impulsionado pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio e pela valorização do petróleo no mercado internacional, resultou na redução média de 93 voos diários na aviação comercial do Brasil em maio, com previsão de corte de 121 voos por dia em junho. O combustível passou a representar cerca de 46% dos custos operacionais das companhias aéreas nacionais.
O cenário e os impactos na conectividade aérea do país foram debatidos em Brasília, durante reunião entre deputados federais e a presidência da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (ABEAR).
A volatilidade nos custos não é um fenômeno restrito à aviação brasileira. Na Europa e na Ásia, companhias aéreas relatam dificuldades de abastecimento e pressão nas despesas. No Canadá e em nações europeias, há registros ativos de redução de voos comerciais. Nos Estados Unidos, o governo analisa a liberação de um pacote de suporte econômico voltado especificamente para as operadoras de aviação regional.
Impacto direto no custo operacional
Segundo os dados apresentados pela ABEAR, o valor do QAV dobrou desde o início do conflito no Oriente Médio. Isso gerou um impacto financeiro adicional estimado em R$ 1,6 bilhão apenas no mês de maio. De acordo com Juliano Noman, presidente da associação, o montante excedente equivale ao custo de arrendamento mensal de centenas de aeronaves, restringindo a capacidade de investimento do setor.
O presidente da Comissão de Viação e Transportes da Câmara dos Deputados, Carlos Cajado (PP-BA), destacou a urgência do tema para a infraestrutura do país. “O setor aéreo passa por um problema gravíssimo”, afirmou o deputado durante o encontro em Brasília.
Readequação da malha aérea regional
A reestruturação de rotas operadas pelas companhias aéreas começou a ser implementada de forma gradual ao longo dos últimos meses. As regiões Norte e Nordeste registram o maior impacto na redução de frequências.
Apesar dos ajustes, os representantes do setor confirmaram que nenhuma rota ativa antes do início da crise global foi totalmente suspensa até o momento. O diálogo com parlamentares tem o objetivo de estruturar ações que evitem novos cancelamentos.
Governo federal implementa medidas de contenção
Para mitigar os reflexos financeiros nas operações de transporte aéreo, o governo federal vem adotando instrumentos de alívio fiscal e logístico desde abril. A isenção temporária das alíquotas de PIS/Cofins sobre o combustível de aviação tem prazo de encerramento programado para 31 de maio.
A partir de 1º de junho, entra em vigor o diferimento das tarifas aeroportuárias. A medida autoriza que as taxas coletadas entre junho e agosto sejam quitadas pelas companhias apenas no final do ano, sem incidência de juros. O pacote governamental abrange ainda linhas de crédito setoriais e o parcelamento para a aquisição de QAV junto às distribuidoras.



