Após a morte de Ali Khamenei, quem realmente está no poder no Irã?
Estrutura militar ligada à Guarda Revolucionária ampliou influência e passou a comandar decisões

A morte de Ali Khamenei durante os ataques coordenados dos Estados Unidos e Israel ao Irã, em fevereiro de 2026, abriu uma disputa interna pelo controle do país em meio à guerra e às negociações internacionais. Embora Mojtaba Khamenei tenha sido escolhido como novo líder supremo dias depois, analistas, diplomatas e relatos de bastidores apontam que o verdadeiro centro de poder passou para a Guarda Revolucionária Islâmica.
Desde então, o Irã passou a funcionar sob uma estrutura mais fragmentada e militarizada, em que diferentes alas do regime disputam espaço, mas com predomínio crescente dos setores ligados à segurança e às Forças Armadas. A ausência pública de Mojtaba Khamenei, ferido no mesmo ataque que matou seu pai, reforçou a percepção de que o país opera hoje sem um líder único capaz de arbitrar conflitos internos.
Líder supremo não concentra o comando
Formalmente, Mojtaba Khamenei ocupa o posto mais alto do Irã. No entanto, desde que assumiu o cargo, ele não apareceu em público e passou a se comunicar apenas por mensagens escritas ou intermediários ligados à Guarda Revolucionária.
Analistas ouvidos por veículos internacionais descrevem Mojtaba como uma espécie de “soberano simbólico”. Diferentemente de Ali Khamenei, que controlava pessoalmente as principais decisões do Estado iraniano, o novo líder supremo atua dentro de um sistema de consenso dominado por militares e chefes de segurança.
A ausência física do líder e as dúvidas sobre sua condição de saúde mudaram a dinâmica interna do regime. Em vez de uma hierarquia centralizada, o Irã passou a operar com vários centros de influência disputando decisões sobre guerra, diplomacia e segurança interna.
Ahmad Vahidi é o principal homem forte do regime
Entre os nomes que ganharam força após o início da guerra, Ahmad Vahidi aparece como a figura mais poderosa do país. Atual comandante da Guarda Revolucionária, ele controla a principal estrutura militar e de repressão do Irã, além de exercer influência direta sobre o Conselho Supremo de Segurança Nacional, órgão responsável por aprovar ou vetar decisões estratégicas.
Na prática, Vahidi é apontado como o homem que controla o acesso ao líder supremo e supervisiona temas centrais como o programa nuclear, o fechamento do estreito de Ormuz e as negociações com os Estados Unidos.
Relatórios e análises internacionais descrevem Vahidi como um dirigente duro e pragmático. Seu objetivo principal seria aliviar as sanções econômicas e recuperar receitas do petróleo, fundamentais para o financiamento da Guarda Revolucionária, mas sem abrir mão do programa nuclear ou dos mísseis balísticos iranianos.
O crescimento de sua influência também coincidiu com o endurecimento interno do regime. Moradores de Teerã e outras cidades relataram aumento de checkpoints, inspeções em celulares, prisões e execuções desde o início do conflito.
Guarda Revolucionária assume papel central no país
A Guarda Revolucionária já era uma das instituições mais influentes do Irã antes da guerra, mas o conflito acelerou ainda mais sua expansão de poder. Analistas afirmam que a organização deixou de atuar apenas como força militar e passou a funcionar como um “Estado paralelo”.
Hoje, a Guarda Revolucionária controla operações militares, negociações estratégicas, setores da economia e parte do aparato de repressão interna. O grupo também exerce influência sobre bancos, construtoras, importações e operações ligadas ao petróleo.
Segundo especialistas, as instituições civis continuam existindo, mas perderam autonomia. Presidência, Ministério das Relações Exteriores e Parlamento passaram a operar mais como executores de decisões tomadas dentro do núcleo militar do regime.



