
A história do Milagre dos Andes é um dos relatos mais impressionantes de sobrevivência e solidariedade humana de que se tem notícia. No dia 13 de outubro de 1972, o voo 571 da Força Aérea Uruguaia, que transportava a equipe de rúgbi amadora Old Christians Club de Montevidéu para Santiago, no Chile, caiu na Cordilheira dos Andes. Ao todo, 45 passageiros estavam à bordo.
Devido a um erro de navegação dos pilotos em meio a um nevoeiro denso, a aeronave caiu e bateu na montanha. As asas e a cauda da aeronave foram arrancadas, e o que restou da fuselagem deslizou até parar em um vale, a quase 4 mil metros de altitude. Os sobreviventes se viram isolados no meio do nada, sem roupas adequadas para a neve, sem equipamentos e com temperaturas que chegavam a -30 °C à noite. O “abrigo” era o resto do avião.
No 11º dia, eles conseguiram sintonizar um rádio de pilha e ouviram a pior notícia possível: as buscas oficiais haviam sido canceladas. Foi essa informação que fez os sobreviventes tomarem a difícil decisão de alimentar-se dos corpos dos passageiros que já haviam morrido, os quais estavam preservados naturalmente pela neve.
“Depois de 10 dias sem comer, a uma temperatura de 25 graus abaixo de zero, comer carne humana não era mais grave do que enfrentar a natureza, cuidar dos feridos, sobreviver à avalanche. Não somos heróis. Sofremos muito, mas sobrevivemos porque não perdemos o senso de humor, a solidariedade e a fé”, conta Gustavo Zerbino.
Com o passar das semanas, ficou claro que a única chance era caminhar em busca de ajuda. Eles esperaram o ápice do verão e criaram um saco de dormir improvisado com o isolamento térmico do avião.
No dia 12 de dezembro, três sobreviventes – Nando Parrado, Roberto Canessa e Antonio Vizintín — iniciaram uma caminhada impossível pelas montanhas. Após dez dias escalando picos gigantescos sem nenhum equipamento de alpinismo, Parrado e Canessa avistaram um vaqueiro do outro lado de um rio. Como não conseguiam se ouvir, Catalán amarrou um pedaço de carvão e um papel a uma pedra e a atirou do outro lado do rio.
Foi assim que 72 dias após a queda, os sobreviventes foram resgatados da montanha. Dos 45 que embarcaram, apenas 16 sobreviveram.
A história chocou e inspirou o mundo. O que poderia ter sido lembrado apenas como uma tragédia se transformou em um símbolo de liderança, trabalho em equipe e amor à vida.



