
A atuação da Embrapa no enfrentamento à vassoura-de-bruxa da mandioca, causada pelo fungo Rhyzoctonia theobromae, com ações de pesquisa e transferência de tecnologias para os produtores e extensionistas, foi o tema da reunião entre a Promotora de Justiça Ione Missae da Silva Nakamura, do Ministério Público Estadual do Pará (MPPA), e a chefe-geral da Embrapa Amapá, Cristiane Ramos de Jesus, na última terça-feira (14), em Macapá.
A vassoura-de-bruxa mandioca é causada por um fungo de ocorrência inédita no Brasil, classificada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária como praga quarentenária presente, devido sua restrição de ocorrência (Amapá e Pará) e sob controle oficial do Ministério.
A chefe-geral Cristiane Ramos detalhou à Promotora que, a partir de análises biológicas e moleculares, a Embrapa Amapá e a Embrapa Mandioca e Fruticultura confirmaram ao Ministério da Agricultura e Pecuária, em agosto de 2024, o primeiro relato da presença, no Brasil, do fungo Rhizoctonia theobromae. Este foi o resultado de amostras coletadas em Terras Indígenas de Oiapoque, município do Amapá na fronteira com a Guiana Francesa.
Desde então, equipes das duas Unidades da Embrapa dedicam-se a visitas técnicas in loco em roças de mandioca em vários pontos do Amapá e norte do Pará, coletas de materiais para análise laboratorial, testes com cultivares de procedência indígena e de outras populações produtoras em busca de identificar variedades resistentes à doença, e experimentos voltados a inovações fitossanitárias como as câmaras térmicas e limpeza e sanitização de manivas-semente.

Emergência fitossanitária
Em janeiro de 2025, o Ministério da Agricultura e Pecuária declarou estado de emergência fitossanitária referente ao risco de surto da praga quarentenária presente R. theobromae nos estados do Amapá e Pará, e em março de 2025 instituiu o Programa Nacional de Prevenção e Controle da Vassoura-de-Bruxa-da-Mandioca (PVBM), além do Centro de Operações de Emergência Agropecuária (COE-Mapa). Desde então, diversas frentes de combate vêm sendo executadas a exemplo das pesquisas custeadas com recursos do Ministério de Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA).
A Embrapa destaca que o enfrentamento a esta praga agrícola requer cooperação permanente entre a assistência técnica, órgãos de defesa vegetal estaduais, instituições de pesquisa, agricultores e autoridades governamentais, como uma prática fundamental para medidas efetivas de contenção, manejo e controle, a fim de garantir a segurança e sustentabilidade da produção agrícola.
A vassoura-de-bruxa da mandioca foi constatada inicialmente em plantios de mandioca das terras indígenas de Oiapoque (AP), localizado na fronteira do Brasil com a Guiana Francesa. A presença do fungo causador representa alto risco na redução na produtividade das plantas de mandioca afetadas. Até o momento, o fungo Rhizoctonia theobromae não foi detectado em outros hospedeiros no Brasil.
A Promotora Ione Nakamura é titular da 1a. Região Agrária, sediada em Castanhal, e também coordenadora da Câmara de Tratamento de Conflitos Agrários e Fundiários da 1a. Região e do Núcleo Agrário e Fundiário do MPPA. Também acompanhou a reunião, da chefe adjunta de Pesquisa substituta da Embrapa Amapá, Adriana Bariani.



