Irã executa maior número de pessoas em um único ano desde 1989
De acordo com o levantamento, foram 1.639 execuções no último ano, um aumento de 69% em relação a 2024

O Irã executou o maior número de pessoas desde 1989 em um único ano em 2025, de acordo com o Relatório Anual sobre a Pena de Morte no Irã. De acordo com o levantamento, foram 1.639 execuções no último ano, um aumento de 69% em relação a 2024.
Feito pelas organizações Iran Human Rights (IHRNGO) e Juntos Contra a Pena de Morte (ECPM), o documento indica que, desde o início do monitoramento, o Irã executou pelo menos 11.196 pessoas, uma média de 622 por ano.
Segundo as organizações, a maioria das execuções ocorre de maneira não oficial e sem transparência, afetando desproporcionalmente minorias étnicas, mulheres e cidadãos estrangeiros.
Entre os crimes punidos com a pena de morte no Irã estão o tráfico de drogas, responsável por 48% das execuções de 2025, crimes sexuais, como estupro, homicídio, blasfêmia, espionagem e rebelião. O relatório ressalta, no entanto, que a maioria das sentenças é dada por tribunais revolucionários, conhecidos pela falta de transparência, negação de devido processo e uso de confissões extraídas sob tortura.
As organizações também alertam que, com a escalada da guerra contra os Estados Unidos e Israel, o número de execuções pode aumentar ainda mais em 2026.
“Este relatório é publicado em um momento em que o povo iraniano sofreu o maior massacre de manifestantes na história da República Islâmica e vive sob o medo e a ansiedade causados por bombardeios diários em meio a uma guerra em curso. Se a República Islâmica sobreviver a esta crise, há um sério risco de execuções em massa, à medida que as autoridades buscam reafirmar o controle. Ao mesmo tempo, se ocorrer uma mudança política, a abolição da pena de morte deve ser um pilar central de qualquer transição para evitar a repetição do ciclo de violência e repressão que se seguiu à Revolução de 1979”, alertam.



