HU/Unifap participa de capacitação nacional sobre doação de órgãos e transplantes
Iniciativa reuniu profissionais do hospital para fortalecer a estruturação da doação de órgãos no Estado

Profissionais da Unidade de Terapia Intensiva Adulto (UTIAD) do Hospital Universitário da Universidade Federal do Amapá (HU-Unifap), vinculado à estatal HU Brasil, participaram de capacitação voltada à gestão do processo de doação de órgãos e transplantes, realizada em Macapá, por iniciativa do Ministério da Saúde, em parceria com a Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) e a Secretaria de Estado da Saúde do Amapá.
Para a enfermeira Raquel Silva, membra da Equipe Hospitalar de Doação para Transplantes (E-DOT HU-Unifap), a participação do HU-Unifap foi expressiva. “Profissionais de diferentes áreas, participaram da capacitação, reforçando o compromisso institucional com o desenvolvimento e a qualificação da rede de atenção voltada ao processo de doação e transplantes no estado”.
Para ela, este é um momento importante de aprendizado, “pois entender o papel estrutural e transformador da E-DOT dentro dos Hospitais Universitários reforça que, além de núcleos administrativos, são o ‘coração’ operacional que viabiliza o processo de doação em ambientes complexos, garantindo a técnica correta, ética e apoio social”, disse.
As atividades foram direcionadas a profissionais que atuam em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) e áreas estratégicas relacionadas ao processo de identificação e manejo de potenciais doadores de órgãos. A programação incluiu cursos sobre gerenciamento de doação e transplantes, comunicação em situações críticas e determinação de morte encefálica, temas fundamentais para fortalecer a política de doação de órgãos no país.

Capacitação fortalece estrutura da rede de doação
A capacitação faz parte de uma estratégia nacional para ampliar a capacidade dos serviços de saúde para identificar potenciais doadores e conduzir de forma adequada todas as etapas do processo de doação de órgãos. Ao investir na formação de profissionais que atuam diretamente com pacientes críticos, as iniciativas contribuem para fortalecer protocolos, padronizar fluxos assistenciais e qualificar as equipes responsáveis.
Desafios para a estruturação da política no Amapá
Atualmente, o Amapá não realiza transplantes de órgãos e a identificação e notificação de potenciais doadores está em fase inicial. Por isso, a qualificação profissional é necessária para preparar as equipes e construir de fluxos assistenciais que permitam o desenvolvimento dessa política pública.
Para o gerente de Atenção à Saúde, Clodoaldo Côrtes, estruturar o transplante no HU-Unifap é um marco histórico para o Amapá, e o papel da E-DOT é o alicerce de todo esse projeto. “Capacitar a equipe é o ponto de partida para vitalidade dos processos, que trará soberania regional, excelência no cuidado e compromisso acadêmico”, frisou.
Papel da UTI do HU/UNIFAP na construção do debate no Amapá
Desde 2023, a UTI do HU-Unifap contribui para ampliar o debate institucional sobre a estruturação da doação de órgãos no Amapá. A unidade também foi responsável pela primeira notificação de potencial doador de órgãos à Secretaria de Estado da Saúde, um marco importante para o fortalecimento da rede de doação e transplantes no estado.
Segundo a chefe da UTIAD, Samya Dias, a UTI ocupa um papel central na identificação de potenciais doadores e na condução adequada dos protocolos. “Investir na qualificação das equipes é fundamental para avançarmos na construção dessa política no Amapá”, concluiu.
Sistema Nacional de Transplantes
O Brasil possui um dos maiores programas públicos de transplantes do mundo, coordenado pelo Sistema Nacional de Transplantes, sob gestão do Ministério da Saúde. A maioria dos procedimentos é realizada pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Apesar dos avanços, ainda há desigualdades regionais na notificação de potenciais doadores e na realização de transplantes, especialmente em estados da região Norte. Ações de qualificação e integração entre instituições são consideradas estratégicas para fortalecer a política de doação de órgãos e ampliar o acesso aos transplantes no Brasil.



