Safrinha de milho enfrenta incertezas após atraso no plantio
Excesso de chuvas atrasou colheita da soja, impedindo semeadura em janela ideal e diminuindo a competitividade das lavouras

Ainda que o mundo esteja discutindo a ampliação do uso de combustíveis renováveis diante do aumento do preço do petróleo, a produção brasileira de milho deve recuar na safra 2025/26 após o recorde registrado no ciclo anterior.
O cereal é uma das principais matérias-primas para a produção de etanol no Brasil – especialmente no Centro-Oeste – e a expansão desse mercado tem ampliado a demanda pelo grão nos últimos anos.
Estimativas da consultoria StoneX apontam que o Brasil deve colher cerca de 136 milhões de toneladas de milho, abaixo das 139 milhões de toneladas registradas na temporada anterior.
A primeira safra (colhida no verão) teve desempenho positivo em algumas regiões produtoras, embora sem repetir os resultados do ciclo passado. “A primeira safra teve desenvolvimento bom, principalmente no Rio Grande do Sul, onde a produtividade cresceu. Não foi tão bom quanto em 2025, mas foi um resultado positivo”, afirmou Raphael Bulascoschi, analista de grãos da consultoria.
Segundo ele, a produção da primeira safra deve chegar a 26,8 milhões de toneladas, crescimento de cerca de 5%, mas ainda sem grande impacto no volume total produzido no país.
Já a segunda safra (o milho safrinha, produzido no inverno) ainda enfrenta incertezas, principalmente por causa do calendário agrícola.
Um excesso de chuvas atrapalhou a colheita de soja e impediu que os produtores semeassem no mesmo campo -como sempre fazem – o milho. “A janela tardia de plantio pode reduzir a competitividade das lavouras”, afirmou o analista à CNN. O milho precisa de muita chuva na fase de pendoamento, entre fim de abril e começo de maio.
91% da área já estava semeada, na comparação com 97% dos últimos anos. A produção da safrinha no Brasil é estimada em 106 milhões de toneladas, uma queda de cerca de 4,4% em relação ao ano passado, quando foi registrada a maior colheita da história.
Mesmo assim, o cenário de mercado tem melhorado nas últimas semanas.
“O produtor está encontrando um cenário de preço mais adequado. Chicago subindo e o real se valorizando com o ataque militar acabam ajudando a formação de preços”, afirmou o analista. Isso pode aumentar os tratos culturais nas lavouras e elevar os ganhos.
Apesar disso, as margens ainda não são ideais. “As margens estão um pouco melhores do que há alguns meses, mas ainda não são perfeitas”, disse Bulascoschi.
Segundo o analista, o comportamento do mercado dependerá de fatores externos, como a evolução dos conflitos internacionais, além de variáveis internas, como juros e câmbio.



