HPV: Brasil supera média global de vacinação, mas adesão ainda é baixa
Embora a média da cobertura vacinal no Brasil seja maior do que a global, a imunização de adolescentes mais velhos contra o HPV é um desafio

Dados do Ministério da Saúde mostram que o Brasil superou a média global de vacinação contra o papilomavírus humano (HPV). A cobertura vacinal em meninas de 9 a 14 anos atingiu 82%, enquanto a média no mundo é de 12%. No entanto, a imunização de adolescentes mais velhos, com idades entre 15 e 19 anos, ainda é um desafio.
Em 2024, a pasta identificou que 7 milhões de jovens mais velhos – incluindo meninos – não tinham se vacinado contra o HPV. Em fevereiro desse ano, em uma tentativa de contornar a situação, foi lançada uma campanha de resgate vacinal para esse público-alvo, visando imunizar 2,95 milhões jovens de 121 municípios com menor adesão à vacina.
Somente 106 mil adolescentes 15 e 19 anos tinham recebido a proteção contra o vírus causador de diversos tipos de câncer, como o de colo do útero. São Paulo e Rio de Janeiro estão entre os estados com o maior número de não imunizados. São aproximadamente 520 mil adolescentes somente entre os cariocas.
Comunicação e informação
Segundo o pediatra Juarez Cunha, diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), a melhor estratégia para atingir esse público-alvo é levar o recado de que a vacina pode evitar doenças graves, como o câncer de colo de útero.
“A gente tem que insistir mais em mecanismos, em ferramentas de comunicação que atinjam esses jovens”, explica Cunha.
Dados de uma pesquisa da Fundação do Câncer revelam que 26 a 37% dos jovens consultados não tinham conhecimento que o imunizante contra o HPV previne contra doenças como o câncer do colo do útero. Já entre os pais e responsáveis, eram 17%.
Cunha defende que a extensão dos horários de vacinação nos postos de saúde e a presença de profissionais capacitados para tirar dúvidas nos locais de imunização podem ser medidas eficazes para conseguir o resgate vacinal dos mais velhos.