Exportação de ovos do Brasil para os EUA disparam em 2025 em meio a crise de gripe aviária
Segundo associação do setor, exportações até julho deste ano foram quase 1.500% maiores em relação ao mesmo período de 2024

O Brasil nunca exportou tantos ovos para os Estados Unidos. Nos primeiros sete meses de 2025, os EUA foram, de longe, o principal destino das exportações brasileiras do produto. O resultado se deve principalmente à grande crise de gripe aviária que vitimou milhões de aves no país.
Agora, com a tarifa extra imposta por Donald Trump aos produtos brasileiros, o que inclui o ovo, os exportadores começam a preocupar e repensar os envios para os EUA.
Segundo dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) o Brasil enviou aproximadamente 18 mil toneladas de ovos para os Estados Unidos até julho deste ano, um aumento de 1.419% em relação ao mesmo período do ano passado. Com isso, os EUA se tornaram um mercado extremamente relevante, representando 63% das exportações brasileiras de ovos.
A disparada nas exportações para os EUA fez o percentual de envio da produção brasileiras de ovos bater recorde e dobrar, passando de 1% para 2%.
No acumulado entre janeiro e julho foram mais de 30.174 toneladas exportadas para diferentes destinos, volume 207,3% superior ao registrado no mesmo período do ano passado (9.818 toneladas), sendo os principais compradores Estados Unidos, Chile, Japão e México. A receita acumulada chegou a US$ 69,567 milhões, incremento de 232,2% em relação aos US$ 20,940 milhões registrados entre janeiro e julho de 2024.

Exportadores repensam envios
As tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos contra produtos do Brasil no dia 6 de agosto estão fazendo muitos produtores reanalisarem a viabilidade do mercado americano.
Em entrevista à Dinheiro Rural, o diretor da Naturovos, Anderson Herbert, que também é um dos diretores do Instituto Ovos Brasil, contou que toda a produção da empresa que teria os EUA como destino foi distribuída para outros países. Ele aposta que aparecerão novos mercados para que o país diversifique esse volume de exportações.
“Essa semana tivemos a reabertura do mercado chileno. No próximo mês vai aparecer um outro país, assim como Taiwan dois anos atrás, que começou a comprar e parou de comprar. O Japão, também é uma aposta. Tudo isso mostra que quando um país tem problemas, como da gripe aviária, acabam vindo buscar no Brasil para equilibrar o mercado deles, que mostra de novo a relevância do agronegócio brasileiro”, disse Hebert.
A Naturovos produz aproximadamente 4 milhões de ovos por dia, com uma produção focada principalmente no mercado interno, sobretudo no sul e no sudeste.
Outra grande empresa do setor, a Granja Faria, também deixou de exportar ovos para os Estados Unidos após as tarifas. Em nota, a empresa disse que suspendeu exportação do Brasil para os EUA.
A Granja Faria que é de propriedade do “Rei do Ovo”, Ricardo Faria, faz parte da Global Eggs que também tem produção de ovos nos EUA. “Estamos compensando com uma venda maior nos Estados Unidos”. Segunda a empresa, 60% da receita do grupo, que também tem operações na Espanha, hoje vem dos EUA, 20% da Europa e 20% do Brasil.
Ricardo Faria afirmou que o impacto do tarifaço é praticamente nulo para a empresa. Segundo ele, à medida que o Brasil reduz os envios, os preços nos Estados Unidos tendem a subir. “O efeito na Global Eggs é nulo, até levemente positivo. Agora, para o Brasil realmente é uma pena, porque é um esforço de muitos anos”, disse.
O presidente da ABPA, Ricardo Santin, afirmou que todo o volume destinado à exportação pode ser redirecionado, seja para o mercado interno ou para outros países. Apesar disso, os exportadores desejam retomar as negociações com os Estados Unidos.
“Lá nos Estados Unidos os compradores estão trabalhando para incluir o produto na lista de exceções. Não é uma questão simples do mercado, é uma questão de diminuição de oferta lá”, explica.
Santin diz que a maioria dos exportadores brasileiros, por enquanto, está segurando os envios e suspendendo os contratos.