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O que tremor devastador em Mianmar pode revelar sobre megaterremoto nos EUA?

Pesquisadores acreditam que as informações colhidas podem ajudar na previsão de danos e estratégias de preparação na Califórnia

O terremoto de magnitude 7,7 que atingiu a região de Mandalay, em Mianmar, em março de 2025, está fornecendo aos cientistas pistas valiosas sobre como poderia ocorrer o temido “Big One”, o megaterremoto esperado na Falha de San Andreas, na Califórnia.

Segundo pesquisa publicada na revista Nature Communications, o evento de Mianmar matou pelo menos 3.700 pessoas e foi sentido a mais de 1.300 quilômetros de distância, chegando a provocar danos em edifícios na Tailândia.

O estudo utilizou imagens de satélite de alta resolução e um registro raro em vídeo da ruptura da falha geológica durante o terremoto, algo nunca documentado dessa forma anteriormente.

Os pesquisadores descobriram que a Falha de Sagaing, responsável pelo terremoto em Mianmar, possui características semelhantes às da Falha de San Andreas: ambas são falhas do tipo transcorrente e apresentam inclinações que influenciam a forma como as ondas sísmicas se propagam e onde os tremores se tornam mais intensos.

As simulações indicaram que a falha em Mianmar não é vertical, mas possui uma geometria complexa, com inclinações diferentes ao longo de sua extensão.

Em geral, o lado para o qual a falha se inclina tende a experimentar tremores mais fortes. Esse comportamento também pode ocorrer na Califórnia caso um terremoto de aproximadamente magnitude 7,8 aconteça na Falha de San Andreas.

De acordo com a geofísica Alice-Agnes Gabriel, da Universidade da Califórnia em San Diego e coautora do estudo, embora ainda seja impossível prever exatamente quando e onde um terremoto acontecerá, análises detalhadas de eventos como o de Mianmar permitem antecipar aspectos importantes de seu comportamento.

Outra descoberta relevante é que falhas geológicas longas e relativamente retas podem produzir terremotos maiores do que o esperado.

Estudos complementares sobre o terremoto de Mianmar mostraram que a ruptura se estendeu por mais de 500 quilômetros, sugerindo que sistemas semelhantes, como a Falha de San Andreas, podem gerar eventos sísmicos extremamente complexos e potencialmente mais destrutivos do que os modelos tradicionais indicam.

Para os cientistas, o terremoto de Mianmar funciona como um laboratório natural para compreender melhor os riscos associados ao “Big One” nos Estados Unidos.

As informações obtidas poderão ser usadas para aprimorar modelos de previsão de danos e estratégias de preparação em regiões altamente povoadas da Califórnia.

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