Brasil pode ter falta de biocombustíveis e alta de preços até 2035, alerta CNI
Estudo aponta risco de descompasso entre produção e metas ambientais, com demanda de 46 bilhões de litros de etanol e 18 bilhões de biodiesel em 2035

O Brasil corre o risco de não conseguir produzir biocombustíveis em quantidade suficiente para acompanhar as metas de descarbonização previstas para a próxima década. Embora o país tenha avançado na criação de regras para ampliar o consumo de combustíveis renováveis, a expansão da capacidade produtiva ainda depende de investimentos que não estão assegurados.
Esse desequilíbrio poderá provocar restrições de oferta e pressionar os preços pagos por consumidores e empresas. Essas são as conclusões de um estudo divulgado nesta quarta-feira (28) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).
O levantamento “Combustíveis no Brasil: análise do mercado e perspectivas para a descarbonização” projeta que a demanda por etanol poderá alcançar aproximadamente 46 bilhões de litros em 2035, enquanto a de biodiesel chegará a 18 bilhões de litros. O desafio, entretanto, não está apenas em produzir mais. É garantir que a oferta cresça no ritmo das exigências ambientais, sem comprometer o abastecimento ou encarecer os combustíveis.
A preocupação é especialmente relevante porque o Brasil já possui uma das matrizes de transportes com maior participação de biocombustíveis do mundo. Em 2025, eles responderam por cerca de 25% da energia consumida no transporte brasileiro, contra aproximadamente 4% na média mundial, segundo dados de 2023 utilizados pela CNI. Essa vantagem, construída ao longo de décadas, poderá ser colocada à prova pela velocidade da transição energética.
O estudo mostra ainda que as metas de consumo de combustíveis menos poluentes estão avançando mais rapidamente do que a previsibilidade dos investimentos necessários para produzi-los. Na avaliação da entidade, a criação de obrigações de mistura e de redução de emissões, embora importante para estimular a demanda, não garante, por si só, a construção de novas fábricas ou a ampliação das unidades existentes.
A expansão dos biocombustíveis representa uma oportunidade estratégica para o país, mas sua consolidação dependerá da capacidade de coordenar políticas de demanda e oferta, investimentos produtivos, infraestrutura, financiamento e desenvolvimento tecnológico”, afirma o presidente da CNI, Ricardo Alban.



