Decisão de Zanin coroa sequência de atropelos do STF no TSE
Determinação de ministro do Supremo de prorrogar horário de votação reforça guerra entre ala lulista e bolsonarista

A decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), de prorrogar por duas horas o horário de votação em todo o país, atendendo a um pedido da campanha do presidente Lula, marca mais um atropelo do STF no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), além de reforçar a guerra entre as alas lulista e bolsonarista que atuam nas duas Cortes.
Indicado ao cargo pelo presidente Lula neste terceiro mandato, Zanin assinou a decisão a poucos minutos do fim da votação, diante da inércia do presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, que havia sinalizado nos bastidores que não faria nenhuma intervenção na votação, programada para ocorrer das 8h às 17h em todo o país, seguindo o horário de Brasília.
Conforme a equipe da coluna apurou, no TSE era consensual a posição de que o horário de votação não deveria ser estendido, mas Kassio Nunes Marques preferiu não decidir nada. Com a omissão da Corte Eleitoral, o PT recorreu ao STF, provocando a crise que temos agora.
Todos do TSE estão com muita raiva do Zanin, dizendo que ele não podia ter dado essa decisão com meia hora de votação”, disse um ministro que está acompanhando a apuração na sede do TSE. “A impressão é a de que Zanin nunca viu uma urna ao vivo, que ele não sabe que depois que ela emite o relatório de votação, é mecanicamente impossível reabrir a urna”
Apesar da ordem de Zanin, muitas seções eleitorais já haviam desligado as urnas quando foram comunicadas da decisão do ministro, o que mergulhou o segundo turno da eleição num cenário de incertezas, pavimentando o caminho para possíveis contestações judiciais – e um terceiro turno na Justiça, com o lado perdedor questionando o resultado.
Após a primeira decisão, Zanin divulgou um novo despacho: informou que a votação deveria prosseguir onde as urnas não haviam sido desligadas, ou seja, restringindo o cumprimento de sua ordem aos locais que as urnas não haviam sido fechadas.
Nunes Marques e Zanin fazem parte de grupos opostos. O presidente do TSE, ao lado do vice-presidente da Corte Eleitoral, André Mendonça, são expoentes da ala bolsonarista do STF e do Tribunal Superior Eleitoral, fazendo jornada dupla nos dois tribunais. Já Zanin integra o grupo lulista do Supremo, formado pelos ministros Gilmar Mendes, Flávio Dino e Alexandre de Moraes – nenhum deles faz parte da composição titular da Justiça Eleitoral.



