Petrobras encontra petróleo 2x no mesmo poço no Amapá
Empresa prepara nova sonda para realizar mais três perfurações em águas ultraprofundas

A sonda NS-42 está na reta final de uma operação a 175 quilômetros do litoral do Amapá, depois de encontrar petróleo em duas camadas diferentes de rochas no fundo do Oceano Atlântico. Agora, a Petrobras prepara sua saída para outra bacia petrolífera e planeja trazer uma nova unidade de perfuração para continuar investigando o bloco FZA-M-59, na Margem Equatorial.
A estatal pretende iniciar outra fase de exploração em 2027, com três poços adicionais previstos para os próximos anos.
A descoberta mais recente ocorreu em uma lâmina d’água de 2.886 metros e reforçou o interesse da companhia em uma região que ainda não possui produção comercial de petróleo.
Petrobras prepara saída da sonda NS-42
A embarcação responsável pela perfuração de Morpho está concluindo as últimas atividades previstas para o poço exploratório.
A NS-42, também conhecida como ODN-II, pertence à Foresea e foi utilizada pela Petrobras para investigar formações geológicas na Bacia da Foz do Amazonas.
A operação encontrou petróleo em duas camadas distintas, identificadas durante as perfurações realizadas em agosto e outubro de 2026.
A expectativa da companhia é concluir os procedimentos finais até o encerramento de outubro, liberando a embarcação para outra campanha.
O próximo destino previsto é a Bacia Potiguar, no Nordeste brasileiro.

Navio-sonda opera sobre coluna de água de 2.886m de profundidade
A operação acontece em uma região onde existem quase três quilômetros de água entre a superfície do oceano e o fundo do mar.
O poço Morpho está localizado no bloco FZA-M-59, aproximadamente 175 quilômetros distante da costa do Oiapoque, no Amapá. A área também fica a quase 500 quilômetros da desembocadura do Rio Amazonas.
Para realizar a perfuração, a sonda precisa manter sua posição enquanto equipamentos atravessam a coluna de água e penetram nas rochas abaixo do leito oceânico.
A profundidade de 2.886 metros corresponde à lâmina d’água, não à profundidade total do poço. As formações que armazenam petróleo estão abaixo do fundo do mar.

1ª descoberta foi em agosto e confirmou presença de hidrocarbonetos
Em 14 de agosto de 2026, a Petrobras comunicou que havia identificado hidrocarbonetos durante a perfuração de Morpho.
Os primeiros indícios foram observados por meio de registros elétricos e análises das rochas atravessadas.
Esses equipamentos ajudam os geólogos a identificar características das formações subterrâneas e possíveis intervalos com petróleo ou gás.
Depois da descoberta, a empresa decidiu continuar a perfuração para investigar camadas ainda mais profundas.
As análises posteriores confirmaram que o petróleo encontrado no primeiro intervalo apresentava boa qualidade.

2ª descoberta revelou petróleo em outra camada subterrânea
A nova ocorrência foi identificada em 1º de outubro e anunciada oficialmente pela Petrobras no dia seguinte.
Durante o aprofundamento do mesmo poço, os equipamentos atravessaram outra formação contendo petróleo.
A descoberta foi confirmada com informações obtidas dos registros elétricos, das rochas e das amostras de fluidos coletadas.
As duas ocorrências estão em níveis diferentes do subsolo.
Isso significa que não foram perfurados dois poços para realizar as duas descobertas. Os resultados vieram de diferentes intervalos investigados pelo mesmo poço exploratório.
A Petrobras ainda precisa determinar as características completas da segunda ocorrência e avaliar sua capacidade de produção.

Petróleo encontrado possui características de óleo leve
As primeiras avaliações indicaram que o petróleo de Morpho apresenta características consideradas favoráveis pela indústria.
Segundo informações divulgadas pela Petrobras e detalhadas pela Agência iNFRA, o óleo encontrado possui grau API superior a 30. Essa medida indica a densidade do petróleo. Quanto maior o grau API, mais leve tende a ser o produto.
Petróleos leves podem oferecer vantagens de processamento, dependendo de suas características e das condições comerciais. Entretanto, a qualidade do óleo não é suficiente para justificar a construção de uma plataforma.
A companhia ainda precisa descobrir quanto petróleo existe, quanto poderá ser recuperado e se os custos permitem uma operação economicamente viável.

Nova campanha exploratória terá 3 poços adicionais na costa do AP
Depois da conclusão de Morpho, o planejamento prevê outras três perfurações no bloco FZA-M-59. Os poços receberam os nomes de Manga, PAD Morpho e Crotalus.
Manga permitirá investigar uma nova oportunidade exploratória. PAD Morpho será utilizado para aprofundar o conhecimento sobre a descoberta existente. Já Crotalus integra a campanha destinada a avaliar outras formações da região.
Os resultados deverão ajudar a compreender como o petróleo está distribuído no subsolo e quais áreas apresentam condições para desenvolvimento. A Petrobras controla 100% do bloco, adquirido na 11ª Rodada de Licitações da ANP, realizada em 2013.

1º novo poço está previsto para março/2027 e último em 2029
O cronograma foi atualizado pela Petrobras em documento encaminhado ao Ibama no início de outubro. Segundo a Agência iNFRA, a perfuração de Manga está prevista para ocorrer entre março e outubro de 2027.
Na sequência, os trabalhos em PAD Morpho deverão começar em novembro de 2027, com conclusão estimada para junho de 2028.
Crotalus aparece na etapa seguinte, com início previsto para julho de 2028 e encerramento em janeiro de 2029.
Assim, a campanha poderá atravessar três anos. Essas datas representam o planejamento apresentado pela companhia e podem sofrer alterações conforme as condições operacionais, os resultados obtidos e o cumprimento das exigências ambientais.



