Abstenções podem definir resultado da votação
A taxa de não comparecimento ultrapassou 20% em 2022 e avalia que o número pode influenciar resultado com disputa acirrada entre Lula e Flávio Bolsonaro

A abstenção nas eleições presidenciais brasileiras vem crescendo de forma constante nas últimas duas décadas. Com a diferença muito apertada nas pesquisas entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), o não comparecimento às urnas pode definir o resultado da disputa em 2026.
Crescimento histórico da abstenção
Uma série histórica revela uma trajetória de crescimento contínuo da abstenção no primeiro turno das eleições presidenciais. Em 2006, a taxa era de 16%, o que representava 21 milhões de eleitores que deixaram de comparecer às urnas. Já em 2010, esse número subiu para 24 milhões, elevando a taxa para 18%.
Em 2014, a abstenção alcançou 19,39%, com quase 28 milhões de brasileiros se abstendo de votar no primeiro turno. Em 2018, pela primeira vez nas eleições presidenciais, a marca de 20% foi atingida, com cerca de 30 milhões de eleitores ausentes – em uma disputa que opôs Jair Messias Bolsonaro (PL) e Fernando Haddad (PT).
Eleição de 2022 e o fenômeno do segundo turno
Em 2022, em uma eleição descrita pelo analista como extremamente polarizada e disputada voto a voto, a abstenção no primeiro turno chegou a 20,95% do eleitorado brasileiro. Isso representou 32 milhões e 700 mil eleitores com título ativo que simplesmente não foram às urnas.
Vale ressaltar que o eleitorado total já alcança 158 milhões de pessoas, o que amplia o impacto absoluto de cada ponto percentual de abstenção.
Uma curiosidade apontada é que, no segundo turno de 2022, a taxa de abstenção caiu em relação ao primeiro. Segundo o analista, isso ocorreu porque, diante de um cenário polarizado e da ausência de candidatos de espectros políticos mais variados, eleitores que haviam se abstido no primeiro turno decidiram comparecer ao segundo.
Impacto potencial em 2026
Com a diferença entre os candidatos apontada como muito estreita nas pesquisas, o cenário de 2026 torna o tema ainda mais relevante. Teo Cury destacou que a abstenção e o não-voto podem ser decisivos para definir o pleito.
O analista também ressaltou que tanto a Justiça Eleitoral quanto as campanhas políticas acompanham com atenção esse indicador: enquanto as autoridades eleitorais buscam ampliar a participação dos cidadãos, as campanhas temem que o não comparecimento de seus eleitores comprometa os resultados.



