Brasil abre 47 investigações de “dumping” em 9 meses, quase o total de todo o ano passado
Investigações "dumping" é um mecanismo usado pelo governo para proteger o comércio local do país de práticas desleais de preços

Em nove meses, o governo brasileiro abriu quase o mesmo número de investigações de dumping do que em todo o ano passado. Este ano, já foram contabilizados 47 processos. Em 2025, foram 50. As investigações de dumping são um mecanismo adotado pelo Brasil para proteger o comércio local do país de práticas desleais de preços praticadas por empresas internacionais.
Levantamento revela que, em 2025, 11 procedimentos resultaram em aplicação de medida antidumping. Desde 2014, o MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) abriu 507 investigações e foram aplicadas ou prorrogadas 301 medidas. “Entre as medidas atualmente em vigor, os setores mais presentes são: químicos, metais, plásticos e borrachas, cerâmicas, vidros e têxtis, entre outros”, explica a pasta.
A prática de dumping tenta sufocar empresas brasileiras para dominar o mercado: a empresa internacional oferece um produto mais barato que o viável, isso causa o fechamento dos concorrentes que não conseguem competir e, logo depois, como domina o mercado, essa empresa que oferecia promoções pode ditar o preço do setor.
Raio-x dos processos abertos pelo Ministério
Investigações iniciadas:
- 2014 – 47
- 2015 – 43
- 2016 – 26
- 2017 – 20
- 2018 – 40
- 2019 – 39
- 2020 – 38
- 2021 – 41
- 2022 – 15
- 2023 – 29
- 2024 – 72
- 2025 – 50
- 2026 – 47.
Dessas, 301 resultaram em aplicação de medidas do governo para impedir a prática de dumping.
- 2014 – 26
- 2015 – 27
- 2016 – 20
- 2017 – 16
- 2018 – 32
- 2019 – 29
- 2020 – 28
- 2021 – 26
- 2022 – 15
- 2023 – 14
- 2024 – 57
- 2025 – 11
Impacto em cascata
Luccas Isnard, CEO e fundador da Vizu Imobiliária Boutique, reforça que “o ponto central é que seus efeitos não ficam restritos ao setor diretamente atingido: eles se propagam por toda a cadeia produtiva, num verdadeiro efeito dominó”.
“No caso brasileiro, a entrada de produtos a preços insustentáveis pode pressionar a indústria nacional. Em determinados casos, essa pressão pode levar à redução da produção doméstica e da capacidade produtiva, afetando a oferta de determinados insumos, justamente num cenário em que a demanda segue aquecida. Essa dinâmica pode elevar os custos de determinados insumos e, consequentemente, contribuir para o aumento dos custos da construção civil”, explica.
O impacto também atinge os profissionais dos setores. “Quando a indústria encolhe, a categoria é penalizada e a própria capacidade de execução das obras fica comprometida. Somando produtos mais caros e perda de poder de compra, o efeito sobre a produtividade é inevitável”, explica.



