Técnicos brasileiros retomam espaço no Brasileirão; veja cenário
Com a volta de Renato Gaúcho ao Grêmio, são 14 brasileiros à frente dos clubes da Série A do país após domínio de estrangeiros

A volta de Renato Gaúcho ao Grêmio, após a saída do português Luís Castro, simboliza uma mudança de cenário no mercado de treinadores do futebol brasileiro. Depois de temporadas em que os estrangeiros ganharam espaço e passaram a ocupar quase metade dos bancos da Série A, os profissionais nacionais voltam a ter um protagonismo maior. Atualmente, são 14 treinadores brasileiros contra seis estrangeiros nos 20 clubes do Campeonato Brasileiro.
O movimento chama atenção justamente porque o futebol brasileiro viveu, nos últimos anos, uma forte onda de profissionais de fora. Abel Ferreira, Jorge Jesus, Jorge Sampaoli e outros nomes ajudaram a consolidar a presença estrangeira no país. Em 2023, por exemplo, o Brasileirão chegou a ter maioria de técnicos estrangeiros ao longo da competição. Nos levantamentos dos últimos anos, a presença internacional ficou próxima de metade dos clubes na largada: foram nove estrangeiros em 2022, dez em 2023, oito em 2024 e nove em 2025.
O histórico recente do Campeonato Brasileiro ajuda a dimensionar esse equilíbrio. Nos últimos cinco anos, os treinadores brasileiros conquistaram dois títulos, com Filipe Luís pelo Flamengo, em 2025, e Cuca pelo Atlético-MG, em 2021. Entre os estrangeiros, Artur Jorge levou o Botafogo ao título de 2024, além de Abel Ferreira, campeão com o Palmeiras em 2022 e 2023. A lista reforça que, embora os brasileiros tenham recuperado espaço no mercado da Série A, os técnicos de fora continuam presentes entre os principais vencedores do período.
“Manter um trabalho contínuo é fundamental para que o clube consiga desenvolver um padrão de jogo e obter resultados consistentes ao longo da temporada. Mudanças constantes de treinador prejudicam o desempenho e dificultam a construção de um projeto sólido. O Brasil não é para amadores”, analisou Abel Ferreira, em março de 2026.
O cenário de 2026, porém, aponta para uma recuperação dos brasileiros. E não se trata apenas de uma questão numérica. Alguns profissionais nacionais conseguiram construir trabalhos consistentes e passaram a ocupar posições de maior destaque.
Fernando Seabra é um dos exemplos. O treinador, que iniciou a temporada no Coritiba, segue valorizado pelo trabalho desenvolvido. Odair Hellmann, que renovou recentemente o seu contrato com o Athletico-PR, também ganhou força após o bom trabalho no Furacão. Rafael Guanaes foi mantido no Mirassol depois da campanha de 2025, quando o clube surpreendeu, teve uma trajetória de destaque e garantiu uma vaga na Libertadores.
Enquanto o Coritiba, que retornou à Série A em 2026, ocupa a oitava colocação, com 38 pontos, o rival Athletico-PR, que também subiu da Segundona este ano, vive momento ainda melhor. O Furacão está em terceiro lugar, com 46, e luta por uma vaga direta na Libertadores 2027.
Outro nome que representa essa estabilidade é Rogério Ceni. No comando do Bahia desde 2023, o treinador conseguiu permanecer no cargo durante um período em que a troca constante de técnicos ainda é uma característica marcante do futebol brasileiro. A continuidade também ajuda a consolidar a ideia de que profissionais brasileiros podem oferecer projetos de médio e longo prazo, e não apenas soluções emergenciais.
É justamente nesse ponto que a chegada de Renato Gaúcho ao Grêmio ganha peso. O treinador retorna ao clube para a quinta passagem e assume uma equipe pressionada no Campeonato Brasileiro, mas que também está na semifinal da Copa do Brasil. O desafio imediato é equilibrar as duas frentes e afastar o risco de rebaixamento.
A escolha do Grêmio também mostra que, em determinados momentos, a experiência e o conhecimento do ambiente do futebol brasileiro voltam a pesar. Renato conhece profundamente o clube, a cidade, a torcida e o elenco, além de ter uma história construída no próprio Grêmio.
Isso não significa, evidentemente, que os estrangeiros perderam espaço de forma definitiva. Os seis profissionais de fora ainda representam 30% dos clubes da Série A, uma presença relevante para um mercado que mudou bastante desde 2019. A diferença é que, neste momento, a balança voltou a pender com clareza para os brasileiros.



