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Como as norte-coreanas vêm dominando o futebol de base

Jovens jogadoras norte-coreanas chegam à Copa do Mundo sub-20 na Polônia como atuais campeãs. O título de 2024 foi o terceiro da equipe. O que explica o bom desempenho do time na modalidade?

Há um ano, a seleção feminina de futebol da Coreia do Norte defendeu com sucesso seu título da Copa do Mundo sub-17, após vencer a Holanda por 3 a 0 no Marrocos. Foi a quarta vez que o país conquistou a competição.

Agora, a seleção sub-20 do país chega à Copa do Mundo na Polônia como atual campeã, tendo conquistado seu terceiro título mundial em 2024. As jogadoras norte-coreanas consolidaram de maneira indubitável seu status como a força dominante no futebol feminino de base.

Mas o que faz com que um Estado que, segundo as Nações Unidas, “não tem paralelo no mundo contemporâneo” seja tão bom no futebol de base?

“O esporte internacional é uma das poucas formas de demonstrar sua soberania, existência e identidade à comunidade internacional; portanto, esse tipo de sucesso é, do ponto de vista deles, uma oportunidade importante para exibir a bandeira nacional diante do público internacional”, explicou o Dr. Jung Woo Lee, professor sênior de Políticas de Esporte e Lazer da Universidade de Edimburgo. “Ao mesmo tempo, internamente, a Coreia do Norte frequentemente utiliza o esporte como ferramenta de propaganda para glorificar seus líderes e exaltar a grandeza do país”

Estratégia clara e consciente

O futebol é popular no país, mas, reconhecendo que é muito mais difícil superar a diferença de nível para a elite no futebol profissional adulto do que nas categorias de base, os líderes norte-coreanos voltaram sua atenção para o futebol feminino de base, onde essa lacuna é mais administrável.

É também por isso que esse sucesso não se traduziu em benefícios para a seleção principal ao longo dos anos. Essa estratégia não busca promover um desenvolvimento de longo prazo; o objetivo é vencer.

No Marrocos, a seleção norte-coreana sub-17 sofreu apenas três gols em todo o torneio e marcou três ou mais gols em quatro partidas. Esse desempenho deu continuidade à boa fase da equipe, em 2024, por exemplo, a seleção feminina sub-20 não apenas goleou a Argentina por 6 a 2, como também conquistou três vitórias consecutivas por 1 a 0, das quartas de final em diante, para se sagrar campeã do torneio.

Com o apoio da Escola Internacional de Futebol de Pyongyang – onde as jovens são selecionadas, desenvolvidas e educadas segundo uma abordagem altamente disciplinada e científica –, a Coreia do Norte identificou uma oportunidade e soube apriveitá-la.

Esse fator psicológico parece ter conferido uma vantagem à equipe, mas, além do forte sentimento de patriotismo e de anos de trabalho disciplinado, há também a perspectiva de recompensas capazes de transformar vidas

O que vem a seguir para as campeãs?

Para jogadoras de destaque como Yu Jong-hyang, artilheira da Copa do Mundo sub-17 de 2025, ou Choe Il-son, peça-chave nas conquistas das Copas do Mundo sub-17 e sub-20 em 2024, a reação imediata é imaginar qual time da WSL (primeira divisão do futebol inglês feminino) ou da NWSL (primeira divisão dos EUA) tentará contratá-las; no entanto, isso seria ignorar o contexto em que elas vivem e jogam.

“Antes de tudo, há as sanções econômicas impostas à Coreia do Norte”, observou. Além disso, houve alguns casos em que jogadoras norte-coreanas ingressaram em uma liga europeia de basquete, mas “o salário não era enviado para a conta pessoal da atleta ou do agente, mas sim para uma conta do governo norte-coreano; então, acredito que esse seja mais um fator de complexidade”.

Embora muito sobre essas equipes – assim como sobre o país – permaneça envolto em mistério, é inegável que o sucesso nas categorias de base sempre fez parte do plano.

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