Uzbequistão confirma chegada do primeiro lote de caças chineses J-10CE
Imagens oficiais mostram seis aeronaves em operação e colocam o país da Ásia Central como o segundo cliente estrangeiro do modelo, depois do Paquistão

O Uzbequistão confirmou o recebimento de seus primeiros caças multifunção J-10CE, fabricados pela China, ao exibir as aeronaves durante as celebrações do 35º aniversário da independência do país. A apresentação encerra meses de especulações sobre a aquisição e representa uma importante mudança na modernização da aviação militar uzbeque.
Imagens divulgadas pelo gabinete do presidente Shavkat Mirziyoyev e pela emissora estatal O’zbekiston 24 mostraram pelo menos seis caças estacionados, voando em formação e pousando diante de autoridades militares. As aeronaves também receberam a tradicional saudação com jatos de água, normalmente realizada para marcar a chegada de novos equipamentos.
As cenas foram transmitidas em 28 de agosto e incluíram um avião com o número de cauda 1014. Fotografias anteriores, aparentemente registradas ainda na China, já haviam revelado outro exemplar associado ao Uzbequistão, identificado pelo número 1020.
Quantidade total permanece desconhecida
Relatos publicados desde 2025 indicam que Tashkent teria encomendado até 24 aeronaves. Entretanto, nem o governo uzbeque nem as autoridades chinesas divulgaram oficialmente a quantidade contratada, o valor da operação, o pacote de armamentos ou o cronograma completo de entregas.
O primeiro lote seria composto por seis aviões, possivelmente transferidos para a Base Aérea de Karshi-Khanabad, no sul do país. A localização, embora citada por diferentes publicações e aparentemente compatível com as imagens, ainda não foi confirmada formalmente pelo Ministério da Defesa uzbeque.
Antes da divulgação oficial, especialistas em inteligência de fontes abertas recomendavam cautela. Até meados de agosto, não existiam fotografias inequívocas de J-10CE com insígnias uzbeques operando em uma base identificável no país.

Renovação da aviação de combate
Produzido pela Chengdu Aircraft Industry Group, o J-10CE é a versão de exportação do J-10C empregado pela Força Aérea do Exército de Libertação Popular. Trata-se de um caça monomotor multifunção de geração 4,5, equipado com radar de varredura eletrônica ativa, aviônicos digitais e sistemas de guerra eletrônica.
A aeronave pode utilizar armamentos chineses modernos, incluindo os mísseis ar-ar de curto alcance PL-10 e de longo alcance PL-15. Ainda não existem informações confiáveis, porém, sobre quais armas, sensores adicionais e equipamentos de apoio foram incluídos no contrato uzbeque.
Os novos caças deverão apoiar a substituição gradual de aeronaves de origem soviética, como MiG-29 e Su-27, que formam há décadas o núcleo da defesa aérea do Uzbequistão. A mudança também exigirá treinamento de pilotos e técnicos, novos equipamentos terrestres e uma cadeia logística ligada à indústria chinesa.
Configurações apresentam diferenças externas
Embora pertençam à mesma versão de exportação, os J-10CE do Uzbequistão apresentam diferenças visíveis em relação aos exemplares operados pelo Paquistão. Próximo ao radome, as aeronaves paquistanesas possuem uma antena adicional, ausente nos caças uzbeques observados. Analistas consideram que o equipamento pode estar relacionado ao sistema de identificação amigo-inimigo (IFF), às comunicações em UHF ou a um enlace de dados específico, mas sua função não foi oficialmente divulgada.
Também foram identificadas diferenças na disposição dos sensores instalados na deriva. Os sistemas de alerta de aproximação de mísseis (MAWS) e os receptores de alerta radar (RWR) ocupam posições distintas nas duas configurações. O J-10CE paquistanês ainda apresenta uma pequena carenagem ou sensor próximo ao compartimento do paraquedas de frenagem, componente que não aparece nas aeronaves entregues ao Uzbequistão e que pode estar associado à guerra eletrônica ou a medidas de proteção contra interferências inimigas.
As alterações externas podem refletir requisitos operacionais específicos de cada força aérea, sem necessariamente indicar que uma das versões possui capacidades gerais superiores à outra.
Avanço da China na Ásia Central
Com a entrega, o Uzbequistão torna-se o segundo operador estrangeiro do J-10CE, depois do Paquistão. A aquisição amplia a presença da indústria militar chinesa em uma região tradicionalmente abastecida pela Rússia.
O movimento ocorre enquanto Pequim busca novos compradores para o caça. Bangladesh confirmou recentemente que está avançando nas negociações para uma possível encomenda de até 24 aeronaves.
A divulgação das imagens confirma a entrada do J-10CE na Ásia Central, mas o alcance da transformação da Força Aérea uzbeque dependerá das próximas entregas, da formação das unidades operacionais e da capacidade de integrar os novos caças à estrutura nacional de defesa aérea.



