Geral

Alta do diesel desafia logística e empresas buscam saídas

Combustível é um dos principais custos do transporte e pode representar até 40% do valor do frete em longas distâncias

Uma crise no Oriente Médio pode parecer distante de atuar tão diretamente no funcionamento da logística brasileira, desde o abastecimento de veículo até a compra no supermercado.

Mas basta o petróleo subir para que o impacto comece a percorrer milhares de quilômetros até chegar aos caminhões que transportam praticamente tudo o que circula pelo país.

Em 2026, os recentes impasses envolvendo o Estreito de Ormuz – rota por onde passava cerca de um quinto da oferta mundial de petróleo e gás antes do início do conflito – voltaram a colocar o mercado de energia em alerta.

Mesmo com tentativas de retomada do tráfego, o fluxo na região continua irregular e o petróleo segue sensível a qualquer novo sinal de escalada.

É justamente essa dependência do mercado internacional que transforma o diesel em uma das maiores vulnerabilidades da logística brasileira.

Segundo um levantamento da TruckPag – empresa de tecnologia voltada para setor de frotas pesadas – entre janeiro e julho deste ano, o preço médio do litro do diesel S10 acumulou alta de 12,3%.

A pesquisa contou com dados de abastecimento em mais de 4,7 mil postos e cerca de 10 mil bombas de combustível em todo o país.

O combustível saiu de uma média de R$ 5,78 em janeiro para R$ 6,49 em julho e, no meio do caminho, chegou a atingir R$ 7,13 por litro em abril. A queda de 9% em relação ao pico trouxe algum alívio para o setor, mas não devolveu o diesel aos patamares do início do ano.

“Apesar do recuo observado desde abril, o diesel continua significativamente mais caro do que no início do ano, o que mantém a pressão sobre os custos das transportadoras”, diz Kassio Seefeled, CEO da TruckPag.

E o problema não está apenas no preço que aparece na bomba: Seefeld também mencionou que o diesel pode representar entre 30% e 50% do custo de uma operação, dependendo da rota, do tipo de carga e da negociação do frete.

“O principal custo do transportador hoje é o óleo diesel, é o combustível”, disse o executivo.

Nas viagens mais longas, essa dependência se torna ainda mais evidente.

Marcus D’Elia, sócio da consultoria Leggio – especializada em cadeia de suprimetos e logística integrada – calculou que o diesel pode representar cerca de 25% do custo do frete em trajetos menores, mas chegar a 40% em operações que percorrem até 2 mil quilômetros.

“O transporte representa em torno de 50% a 55% do custo logístico. O diesel se torna relevante porque ele vai variar entre 15% e 25% do custo logístico que você tem no transporte de uma carga”, afirmou.

Mas apesar de buscar por alternativas para fugir da alta de preços, novas fontes de energia ainda não são a principal estratégia das empresas.

Mostrar mais

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo