Política Nacional

Lula se reúne com Motta e Alcolumbre por taxa das blusinhas e prioridades

Encontro entre os líderes deve ocorrer no Palácio da Alvorada, após reaproximação

No esforço de destravar pautas prioritárias para o governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reúne, nesta quarta-feira (26), com os mandatários do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), em almoço no Palácio da Alvorada.

O encontro tem o objetivo de discutir, entre outras pautas, a medida provisória (MP) que acaba com a cobrança do imposto de importação para compras até US$ 50, a chamada “taxa das blusinhas”. Prestes a caducar, o texto ganhou foco total do governo para impedir a volta do tributo semanas antes das eleições.

Lula entrou pessoalmente na articulação para aprovar a proposta. Na última semana, ele viajou com Motta para cumprir agenda no Rio Grande do Norte (RN) e reforçar o movimento de reaproximação da cúpula do Congresso. O petista manteve reuniões com Alcolumbre, selando a trégua entre os líderes após meses de distanciamento.

A MP que zera a taxa das blusinhas foi assinada em maio pelo presidente após a avaliação de que a medida trouxe desgastes à popularidade do petista em meio à tentativa de reeleição. Embora a isenção ainda esteja em vigor, se o texto não for votado até 8 de setembro, perde a validade, e a alíquota volta a ser cobrada.

O entorno do presidente teme que eventual retorno da taxa cause impactos à campanha de reeleição ao Planalto. Em entrevista, Lula afirmou que o encontro com os líderes do Congresso garantirá o “fim da taxa das blusinhas”.

“Eu me reuni com o meu amigo Davi Alcolumbre. Quarta-feira tem uma reunião com ele, e vamos anunciar o fim da taxa das blusinhas, para as pessoas voltarem a comprar suas coisinhas”, relatou.

Publicamente, Lula tem feito a defesa do fim da cobrança e se diz “otimista” que a pauta será aprovada. Ele divulgou um vídeo em que classifica a medida como “questão de justiça”.

Relação retomada

  • A relação entre Lula e Alcolumbre se deteriorou depois da rejeição do ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, a uma vaga ao Supremo Tribunal Federal (STF).
  • Foi a primeira vez desde 1894 que o Senado derrubou indicação de um presidente à Suprema Corte.
  • Na época, Alcolumbre foi apontado como responsável por articular a rejeição de Messias. Ele tinha preferência pelo senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG), que acabou preterido por Lula.
  • O episódio provocou fissura na relação entre os dois, que durou cerca de três meses.
  • A reaproximação só ocorreu após jantar promovido pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, em que o presidente da República e o senador retomaram o contato.
  • Depois, Lula e Alcolumbre estiveram juntos em outras três ocasiões — uma delas, em viagem ao Amapá para anunciar descobertas relacionadas ao petróleo na Margem Equatorial.
  • A retomada do diálogo ajudou a destravar matérias que estavam paradas no Senado há meses, como a PEC do fim da 6×1 e a PEC da Segurança Pública. Na última semana, Alcolumbre despachou os dois textos para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
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