Após seis meses de guerra, Ormuz tem tráfego mínimo e milhares de marinheiros permanecem bloqueados
Estreito se tornou principal foco do conflito entre Irã, Estados Unidos e Israel

Seis meses após o início da guerra no Oriente Médio, o Estreito de Ormuz continua praticamente paralisado, com 6.000 marinheiros bloqueados e um tráfego de navios de carga de commodities muito abaixo do nível normal. O estreito se tornou o principal foco do conflito entre Irã, Estados Unidos e Israel.
Tráfego diário mínimo
Antes de o Irã bloquear o estreito em resposta aos bombardeios americanos e israelenses de fevereiro, 20% das exportações mundiais de petróleo e gás passavam por esta via marítima. A Guarda Revolucionária iraniana também adverte sobre uma “zona de perigo”, que poderia conter minas, de quase 1.400 quilômetros quadrados. Após o Irã fechar o estreito em 1º de março, o tráfego marítimo caiu para quase 10 travessias por dia, contra a média diária de 95 em fevereiro, segundo análise da AFP baseada em dados da agência Kpler, que monitora embarcações.
O acordo assinado em junho entre Estados Unidos e Irã possibilitou uma recuperação parcial, com 36 travessias por dia, antes de uma nova queda, para a média de 15 entre 8 de julho – quando as hostilidades foram retomadas – e 22 de agosto.
20 mortos em 68 incidentes perto de Ormuz
A Organização Marítima Internacional (OMI) confirmou um total de 68 incidentes de ataques a navios comerciais, média de um a cada 2,6 dias. Pelo menos 20 marinheiros ou trabalhadores portuários morreram, 35 ficaram feridos e um é considerado desaparecido, segundo a OMI.
Novas rotas, passagens “obscuras”
Antes da guerra, os navios atravessavam livremente o estreito por uma rota no centro da via, adotada pela OMI. Atualmente há duas rotas distintas: uma ao norte, perto da costa iraniana e autorizada por Teerã, e outra ao sul, entre a costa de Omã e as áreas potencialmente minadas.
Durante o período de relativa calma entre 17 de junho e 7 de julho, nove navios por dia, em média, utilizaram a rota iraniana e oito, a via de Omã. Os demais transitaram por rotas não identificadas ou pelo tradicional corredor da OMI.
Desde o colapso da trégua em 8 de julho, dois terços das travessias são feitas de forma “obscura” ou desconhecida, contra menos de 1% antes da guerra, segundo a Kpler. As travessias envolvem navios cuja rota exata não pode ser confirmada devido à insuficiência de dados causada por transponders desativados, interferência de sinais ou falta de imagens de satélite.
Milhares de marinheiros bloqueados
Quase 6.000 marinheiros e 500 navios continuam retidos no Golfo desde o início do conflito, indicou a OMI à AFP. A organização destacou que negociações estão em curso para definir uma rota marítima segura, mas o resultado “depende da desescalada na região”. A OMI iniciou em junho um plano para retirar os mais de 11.000 marinheiros então bloqueados no Golfo, mas o esforço foi suspenso após um ataque contra uma embarcação.



