Petrobras avalia trocar navio-sonda usado no Morpho por unidade com novo pacote tecnológico no Amapá
NS-43 Amaralina Star pode substituir a NS-42 nos próximos poços do bloco FZA-M-59; embarcação possui sistema de controle de pressão e equipamentos atualizados para operações em águas ultraprofundas
por Luis Eduardo
A campanha exploratória da Petrobras na costa do Amapá pode ter uma mudança importante nas próximas perfurações. A companhia avalia utilizar o navio-sonda NS-43, o Amaralina Star, no lugar da NS-42, ODN II, unidade empregada na perfuração do poço Morpho, no bloco FZA-M-59, na Margem Equatorial.
Embora as duas sondas tenham capacidades semelhantes de perfuração em águas ultraprofundas, o Amaralina Star chega à campanha com um pacote de equipamentos atualizado, incluindo sistema de gerenciamento de pressão durante a perfuração, conhecido pela sigla MPD (Managed Pressure Drilling).
A eventual substituição não significa, por si só, que a Petrobras tenha encontrado uma quantidade maior de petróleo no Morpho. As duas unidades têm capacidade técnica para realizar operações dessa complexidade. A mudança, porém, chama atenção porque a NS-43 poderá participar justamente das próximas etapas da exploração do FZA-M-59.
Duas gigantes das águas ultraprofundas

A NS-42 é a ODN II, operada pela Foresea. Construída em 2012, é um navio-sonda de sexta geração projetado para águas ultraprofundas. A unidade possui sistema de posicionamento dinâmico DP3, pode trabalhar em lâmina d’água de aproximadamente 3 mil metros e atingir profundidades de perfuração superiores a 12 mil metros.
Foi essa estrutura que a Petrobras utilizou na perfuração do Morpho, onde foram identificados hidrocarbonetos e posteriormente confirmada publicamente a presença de petróleo.
A NS-43, por sua vez, é o Amaralina Star, operado pela Constellation. Também construído em 2012, o navio-sonda possui capacidade para trabalhar em aproximadamente 3 mil metros de lâmina d’água e perfurar até cerca de 12,2 mil metros.
Ou seja: em profundidade operacional, as duas embarcações estão praticamente na mesma categoria.
A principal diferença está na configuração atual dos equipamentos.
Amaralina Star passou por modernização

Antes de retornar às operações contratadas pela Petrobras, o Amaralina Star passou por adequações e recebeu equipamentos destinados a ampliar a capacidade e a segurança operacional.
Entre eles está o MPD, tecnologia que permite controlar com maior precisão a pressão dentro do poço durante a perfuração.
Esse controle é especialmente importante em formações geológicas complexas, nas quais a diferença entre a pressão dos fluidos existentes nas rochas e os limites suportados pela formação pode exigir acompanhamento extremamente preciso.
A unidade também conta com dois ROVs FCV 3000, veículos submarinos operados remotamente utilizados para inspeção e apoio às atividades realizadas no fundo do mar.
O Amaralina Star possui ainda equipamentos e adequações recentes associados às operações offshore, incluindo sistemas relacionados ao riser e à logística da unidade.
Amaralina Star já esteve em Macapá

O navio-sonda ganhou visibilidade no Amapá antes mesmo de uma eventual participação na campanha do FZA-M-59.
Durante a Expofeira do Amapá de 2026, uma representação do Amaralina Star foi apresentada ao público, permitindo que visitantes conhecessem detalhes da estrutura utilizada pela indústria de petróleo em águas profundas e ultraprofundas.
Agora, o mesmo navio-sonda pode assumir papel direto na continuidade da exploração da costa amapaense.
Próximos poços são decisivos
A Petrobras apresentou ao Ibama planejamento envolvendo outros três poços no bloco FZA-M-59: Manga, PAD-Morpho e Crotalus.
Essas perfurações ainda dependem das respectivas autorizações ambientais.
Entre elas, o PAD-Morpho desperta atenção especial porque está relacionado à avaliação da descoberta realizada no Morpho. Um poço de extensão permite obter informações adicionais sobre a continuidade do reservatório e contribui para dimensionar a acumulação encontrada.
É justamente nesse estágio que começam a surgir respostas para a principal pergunta ainda sem solução: quanto petróleo existe na descoberta do Morpho?
Até agora, a Petrobras confirmou a presença de hidrocarbonetos no poço e a presidente da companhia, Magda Chambriard, confirmou publicamente que há petróleo. Entretanto, não existe estimativa oficial divulgada sobre o volume recuperável nem declaração de comercialidade da descoberta.
Novos poços, testes e estudos serão necessários antes que a empresa possa determinar se a acumulação possui dimensão e características suficientes para justificar economicamente um projeto de produção.
Troca de sonda não significa descoberta maior
A possível utilização da NS-43 precisa ser interpretada com cautela.
A NS-42 e a NS-43 são navios-sonda capazes de realizar perfurações de alta complexidade em águas ultraprofundas. Portanto, a eventual substituição não pode ser utilizada isoladamente como evidência de que a Petrobras encontrou uma reserva maior do que esperava.
A relevância está em outro ponto: o Amaralina Star é uma unidade recentemente preparada para operações da Petrobras e poderá participar das perfurações que ajudarão a revelar a extensão real da descoberta feita na costa do Amapá.
Se o PAD-Morpho for autorizado e perfurado, os dados obtidos poderão representar um dos passos mais importantes para transformar a descoberta geológica anunciada no FZA-M-59 em algo que possa, no futuro, ser avaliado como uma descoberta comercial.



