Laura do Marabaixo celebra vivência e ancestralidade na 10ª FLIPELÔ, em Salvador
Escritora amapaense participou da Festa Literária Internacional do Pelourinho com lançamento, venda de livros e debates sobre literatura, identidade e educação antirracista
A literatura amapaense ganhou espaço e visibilidade na 10ª Festa Literária Internacional do Pelourinho (FLIPELÔ), realizada de 5 a 9 de agosto, no Centro Histórico de Salvador (BA). Entre os participantes esteve a escritora, pedagoga e pesquisadora Laura Cristina da Silva, conhecida como Laura do Marabaixo, que levou à Bahia histórias, memórias e referências da cultura afro-amapaense e da Amazônia.
Para Laura, a participação no festival foi muito mais do que uma oportunidade profissional. Foi uma experiência de encontro, troca e reconhecimento de uma trajetória construída a partir da educação, da literatura, da ancestralidade e do marabaixo.
“Foi uma alegria imensa estar na FLIPELÔ, viver aquele espaço, encontrar pessoas, ouvir outras histórias e também poder contar um pouco da nossa. Levar o Amapá para um evento dessa dimensão foi muito significativo para mim. Eu me senti representando nossas crianças, nossa cultura, nossa ancestralidade e todas as pessoas que acreditam na força da nossa história”, relata a escritora.
Durante a programação, Laura participou de rodas de conversa sobre literatura e práticas antirracistas e apresentou ao público as obras Yana, a Menina de Tranças e A Turminha do Laguinho. Os livros, voltados ao público infantojuvenil, trabalham identidade, pertencimento, ancestralidade e valorização da cultura negra.
A presença da escritora também possibilitou ampliar o diálogo sobre o marabaixo e a produção cultural do Amapá em um dos mais importantes encontros literários do país. A edição deste ano da FLIPELÔ celebrou a poeta baiana Myriam Fraga, o artista plástico Calasans Neto e os 40 anos da Fundação Casa de Jorge Amado.
“Foi emocionante perceber que as nossas histórias despertam interesse e que aquilo que fazemos no Amapá tem lugar e importância em outros espaços. Volto dessa experiência ainda mais fortalecida e com a certeza de que precisamos continuar escrevendo, contando nossas histórias e fazendo com que nossas crianças se reconheçam nelas”, acrescenta Laura.
A participação na FLIPELÔ reforçou a presença da literatura amazônica no cenário nacional e evidenciou a importância da produção de mulheres negras escritoras na construção de novas narrativas sobre identidade, memória e pertencimento.

Mais sobre Laura do Marabaixo
Laura Cristina da Silva, a Laura do Marabaixo, é pedagoga, especialista em Psicopedagogia Institucional e Clínica, escritora, compositora e pesquisadora. É autora dos livros A Turminha do Laguinho e Yana, a Menina de Tranças, membro da Academia de Marabaixo e Batuque e idealizadora do projeto Marabaixo e Batuque no Fazer Pedagógico.
Atua na promoção da educação para as relações étnico-raciais, com base na Lei nº 10.639/2003, desenvolvendo ações por meio do Movimento Cultural Ancestrais e da Associação Cultural Raimundo Ladislau. Também integrou a Secretaria Municipal de Educação de Macapá na área de Educação Étnico-Racial e Diversidade.
Atualmente, é diretora adjunta da Fundação Estadual de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (FEPPIR/Fundação Marabaixo), onde também coordena a área de Educação.
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