Petrobras confirma petróleo na costa do Amapá; Lula visita sonda e fala em “passaporte para o futuro”
- Por Luis Eduardo, de Oiapoque (AP)
A descoberta que pode mudar a história econômica do Amapá entrou em uma nova fase. A Petrobras confirmou a presença de petróleo no poço Morpho, localizado em águas ultraprofundas na costa amapaense, e agora trabalha para descobrir uma pergunta que ainda não tem resposta: quanto petróleo existe na região.
Na segunda-feira (17), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve em Oiapoque e visitou a sonda NS-42, responsável pela perfuração do poço exploratório no bloco FZA-M-59, na Bacia da Foz do Amazonas, uma das áreas que integram a Margem Equatorial brasileira.
A reportagem da TV Equinócio acompanhou a agenda no município e a apresentação feita pela Petrobras sobre a estrutura montada para a operação, os procedimentos de segurança e os próximos passos da pesquisa.
“Tem petróleo, tem descoberta”
Durante a agenda, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, foi categórica ao falar sobre o resultado obtido até agora.
“Tem petróleo, tem descoberta. A gente ainda não sabe quanto”, afirmou.

Segundo Magda, a Petrobras está otimista com os dados encontrados e continuará investindo na exploração da região. A perfuração do Morpho ainda não terminou e deve levar aproximadamente mais 15 a 20 dias. Somente depois da conclusão dessa etapa e de novos estudos será possível avançar na avaliação do tamanho da descoberta.
Isso significa que a existência de petróleo está confirmada, mas o volume da reserva ainda não. Também não é possível afirmar, neste momento, quanto poderia ser produzido comercialmente ou qual seria o valor econômico da descoberta.
A Petrobras precisará delimitar a área, analisar características do reservatório e realizar novas pesquisas antes de tomar uma decisão sobre um eventual projeto de produção.
Quase 3 quilômetros de água

O Morpho está a aproximadamente 175 quilômetros da costa do Amapá, em uma região onde a lâmina d’água chega a 2.886 metros. Apesar de integrar a Bacia da Foz do Amazonas, o ponto onde ocorre a perfuração fica a quase 500 quilômetros da foz do Rio Amazonas.
Os hidrocarbonetos foram identificados por meio de perfis elétricos e de indícios encontrados nas rochas retiradas durante a perfuração.
O bloco FZA-M-59 é operado integralmente pela Petrobras e foi adquirido em 2013, durante a 11ª Rodada de Licitações da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
A região é considerada estratégica pela estatal para a recomposição das reservas brasileiras de petróleo e gás nas próximas décadas.
Lula visita sonda

Lula viajou de helicóptero até a estrutura em alto-mar e conheceu de perto o trabalho desenvolvido pela Petrobras. O presidente esteve acompanhado, entre outras autoridades, pela presidente da estatal, Magda Chambriard, pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, pelo governador do Amapá, Clécio Luís, e por integrantes do governo federal.
Depois da visita, Lula comparou o momento à descoberta do pré-sal e disse que o petróleo encontrado na costa amapaense pode representar uma nova oportunidade de desenvolvimento.
Para o presidente, a descoberta pode ser um “passaporte para o futuro” e criar oportunidades especialmente para o Amapá.
Lula também chamou atenção para a qualidade do óleo encontrado. Ao mesmo tempo, afirmou que a exploração não deve representar abandono das políticas de preservação ambiental e da transição para fontes renováveis de energia.
O presidente citou os elevados índices de preservação do Amapá e disse que desenvolvimento econômico e proteção ambiental devem caminhar juntos.
Expectativa no Amapá

O governador Clécio Luís destacou durante a agenda a união institucional que permitiu o avanço da pesquisa na Margem Equatorial e defendeu que uma eventual riqueza produzida pelo petróleo resulte em desenvolvimento para a população amapaense.
“Essa união é uma união que constrói, uma união que supera obstáculos, uma união que supera diferenças”, afirmou.
A descoberta amplia as expectativas sobre investimentos, geração de empregos, infraestrutura e arrecadação no Amapá. Mas o caminho entre encontrar petróleo e efetivamente começar a produzir é longo.
Primeiro, a Petrobras precisa descobrir quanto petróleo existe, avaliar a qualidade e produtividade dos reservatórios e determinar se a exploração em escala comercial será economicamente viável.
Por isso, apesar do clima de comemoração, o momento ainda é de pesquisa.
O dado histórico já existe: há petróleo na costa do Amapá. O tamanho dessa descoberta — e o impacto que ela poderá provocar na economia do estado e do país — é o que a Petrobras começa agora a tentar dimensionar.
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