Lula e Alcolumbre retomam relação na véspera da eleição e de olho em 2027
Após meses de relação desgastada, os líderes retomaram o diálogo de olho na corrida eleitoral e na disputa pela presidência do Senado

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), selaram a retomada da relação política nessa quarta-feira (12), em reunião de trabalho no Palácio da Alvorada, residência oficial do petista, em Brasília.
Depois de meses de tensão, os dois voltaram a negociar cara a cara às vésperas do início da campanha eleitoral, com interesses políticos em jogo.
A reunião, que durou cerca de duas horas, teve como objetivo destravar pautas consideradas importantes pelo governo no Senado antes das eleições de outubro. O encontro também contou com a presença do ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, e da líder do governo no Senado, senadora Teresa Leitão (PT-PE).
No encontro, Lula e Alcolumbre deram continuidade à conversa iniciada na semana passada, quando os dois se encontraram em um jantar na casa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, em Brasília, no dia 4 de agosto.
A ideia do governo, de acordo com o chefe da articulação política, é consolidar com Alcolumbre um diálogo que já está estabelecido com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB). “Nós queremos que, sob a liderança da senadora Teresa, também no Senado fique 100% como está na Câmara”, disse o ministro.

Na semana passada, o diretório nacional do Republicanos realizou a convenção e decidiu pela neutralidade nas eleições presidenciais. O presidente, Marcos Pereira (SP), negociou com a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) até o último momento, mas recusou a coligação. Com isso, os diretórios estaduais ficaram liberados para compor coligações e fazer as demais articulações considerando o cenário local.
“Independentemente aqui da pauta no Senado e das matérias de interesse do governo, nós temos uma chapa à reeleição do governador, a candidatura do senador Randolfe, e o Davi está absolutamente sintonizado com a reeleição do Lula e com o nosso palanque lá no Amapá”, relatou Guimarães.
Alcolumbre não buscará a reeleição à Casa Alta, porque está em meio de mandato, mas tem como objetivo a reeleição para a Presidência da Casa, prevista para fevereiro de 2027. Para isso, o senador busca manter o diálogo com diferentes grupos do Senado e construir apoio para permanecer no comando da Casa, independentemente do resultado da eleição presidencial.
Já uma vitória de Flávio Bolsonaro (PL) tende a fortalecer o senador Rogério Marinho (PL-RN), que pretende se lançar à Presidência do Senado em 2027.
Relação estremecida
- A relação entre Lula e Alcolumbre se deteriorou depois da rejeição do ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, a uma vaga ao Supremo Tribunal Federal (STF).
- Foi a primeira vez desde 1894 que o Senado derrubou uma indicação do presidente à Suprema Corte.
- Na época, Alcolumbre foi apontado como responsável por articular a rejeição de Messias. Ele tinha preferência pelo senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG), que acabou preterido por Lula.
- O episódio provocou uma fissura na relação entre os dois chefes dos Poderes que durou cerca de três meses.
- A reaproximação só ocorreu na última semana, em um jantar promovido pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, onde os dois retomaram o contato.
Pautas prioritárias
Após o encontro, Alcolumbre afirmou que o diálogo entre os líderes foi restabelecido e que o movimento é “muito importante para a democracia”.
“Foi uma reunião institucional muito importante para a democracia, porque o presidente do Congresso precisa ter o diálogo aberto com o presidente do Brasil e esse diálogo foi restabelecido”, disse.
A retomada da relação, no entanto, não garante o avanço de pautas prioritárias para o governo, como a PEC que acaba com a jornada de trabalho 6×1. Horas após o ministro José Guimarães afirmar que “está tudo destravado” ao falar sobre projetos interesse do Executivo, Alcolumbre disse que não há calendário definido para a tramitação da proposta.
Além do fim da 6×1, segue parada no Senado a chamada PEC da Segurança Pública, que busca redesenhar regras para o combate ao crime no país. O texto chegou à Casa em março deste ano e enfrenta resistência para avançar.
Na terça, lideranças governistas definiram o foco em uma série de medidas provisórias (MPs) para serem votadas nesta semana de esforço concentrado no Congresso Nacional. Entre os textos prioritários estão seis MPs — incluindo a que revoga a “taxa das blusinhas”.

No caso da MP que zera o imposto sobre compras internacionais de até US$ 50, a chamada taxa das blusinhas, não houve acordo para instalação da comissão, o que acabou sendo adiada. O governo corre contra o tempo para aprovar a medida e evitar que o texto perca a validade. Se não for analisada até 8 de setembro, a MP caduca e o imposto poderá voltar a ser cobrado.



