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‘Sepultura coberta de cerrado’: familiares reclamam de abandono no Cemitério São Francisco, em Macapá
Familiares denunciam que a falta de manutenção tomou conta do cemitério, dificultando o acesso às sepulturas e aumentando o risco de acidentes com animais peçonhentos
O abandono e o mato alto têm dificultado a visita de familiares aos túmulos no Cemitério São Francisco, localizado na Zona Norte de Macapá. Quem frequenta o espaço relata que a vegetação tomou conta de parte da área, prejudicando o acesso às sepulturas e aumentando a sensação de insegurança.
A aposentada Sebastiana Valadares, de 85 anos, conta que já não consegue encontrar o túmulo do afilhado, que ficou escondido em meio ao capim. Emocionada, ela lamenta a situação e diz que é triste ver um local de homenagem e lembrança tomado pelo abandono.

“É muito triste. Além de estar com um ente querido sepultado assim no cerrado, não acha mais nem a sepultura. Esse meu afilhado quase que eu não achava a sepultura dele, sepultura coberta de cerrado”, lamentou.
Outra frequentadora do cemitério, a servidora pública Charlene Farias, afirma que o problema se arrasta há meses. Segundo ela, além da dificuldade para caminhar entre o matagal, quem visita o local convive com o medo de encontrar cobras e escorpiões. Charlene também reclama da grande quantidade de lixo espalhada pelo cemitério e classifica a situação como um desrespeito às famílias.
“A gente já vem aqui desde março e não teve mudança, pelo contrário, piorou a situação. A gente tenta encontrar a sepultura de um ente querido mas não encontra. A gente ainda corre perigo porque tem cobra e essa área também tem bastante lixo”, disse.

Visitar um cemitério já é, por si só, um momento marcado pela saudade e pela dor. No São Francisco, porém, além do sofrimento da perda, familiares precisam enfrentar a vegetação alta para conseguir localizar os túmulos de seus entes queridos.
Sebastiana faz um apelo para que o poder público realize a limpeza e a manutenção do espaço. Ela afirma que as famílias merecem um ambiente digno para prestar homenagens aos parentes falecidos.
“Pedir que alguém tome as providências para esse lugar onde estão sepultadas pessoas que fizeram tanto bem e hoje em dia estão aqui. Elas não merecem esse sofrimento”, expressou.




