Shopping Popular: MP dá prazo de 10 dias para Prefeitura informar previsão de entrega do novo camelódromo
Reunião mediada pelo Ministério Público reuniu representantes da Prefeitura, comerciantes e moradores da avenida Coaracy Nunes; Município terá prazos para apresentar cronograma, laudos técnicos e informações sobre a nova estrutura.

Por: Núbia Pacheco
O prédio do Shopping Popular, destruído e abandonado em menos de cinco anos após sua inauguração, continua causando incertezas aos mais de 120 trabalhadores autônomos que tiveram suas atividades interrompidas desde novembro de 2025, quando o local foi interditado.
Para tentar solucionar os impasses decorrentes do processo de realocação dos comerciantes para o novo camelódromo da avenida Coaracy Nunes, o Ministério Público do Amapá (MP-AP) reuniu, na segunda-feira (13), representantes da Prefeitura de Macapá, empreendedores do Shopping Popular e moradores da avenida Coaracy Nunes.
O encontro foi conduzido pela promotora de Justiça Caroline Montenegro, na Promotoria de Justiça de Habitação, Saneamento, Política de Trânsito e Transporte, Mobilidade Urbana, Eventos Esportivos e Culturais de Macapá, localizada no Complexo Cidadão da Zona Norte. Ao final da reunião, a promotora determinou uma série de providências ao Município.
No prazo de 10 dias, a Prefeitura deverá:
- informar a previsão de entrega do novo camelódromo;
- detalhar a localização dos banheiros destinados aos comerciantes;
- encaminhar a relação dos empreendedores que serão realocados e daqueles que recebem auxílio financeiro.
O representante dos trabalhadores do Shopping Popular, Paulo Sérgio Rodrigues Felix, esteve presente na reunião e comentou sobre os investimentos de recursos públicos tanto no antigo quanto no novo espaço.

“É uma necessidade dos trabalhadores serem alocados lá porque não tem outro lugar. Foi escolhido lá, já está feita uma parte do camelódromo e, se desmanchar, é mais dinheiro público jogado fora mais uma vez, assim como foi jogado fora aqui no Shopping Popular, que não completou nem cinco anos e aconteceu o que aconteceu por falta de manutenção”, disse.
Interdição do Shopping Popular
A discussão ocorre no âmbito do Procedimento Extrajudicial Eletrônico nº 001008769.2025.9.04.0001, instaurado após a interdição do Shopping Popular, em novembro de 2025.
A medida foi adotada com base em parecer técnico preliminar da Defesa Civil da Guarda Municipal, que apontou comprometimento da estrutura e risco de desabamento. A decisão resultou na retirada de 121 empreendedores do local, acompanhada por vistoria técnica do MP-AP.
Desde então, os comerciantes passaram a receber auxílio emergencial enquanto aguardam uma solução definitiva para a retomada das atividades.
A equipe de reportagem do Equinócio Play visitou o prédio do Shopping Popular na tarde desta terça-feira (14) e verificou que a estrutura está ainda mais deteriorada em razão do abandono do prédio público, que recebeu, em 2021, um investimento de cerca de R$ 4 milhões do Governo Federal para sua construção.
Veja as imagens do espaço atualmente:

Moradores apontam impactos da mudança
A proposta da Prefeitura de instalar provisoriamente os empreendedores na avenida Coaracy Nunes gerou forte reação dos moradores da região.
Segundo os residentes, a iniciativa ocorreu sem diálogo prévio, sem Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV) e sem a apresentação dos licenciamentos necessários. Eles também alegam prejuízos à mobilidade urbana, redução de vagas de estacionamento, dificuldades para a circulação de veículos de emergência, além de impactos à segurança, à privacidade e ao sossego dos moradores.
Outro ponto levantado durante a reunião foi a preocupação com possíveis riscos sanitários e ambientais em razão da instalação da estrutura sobre redes de abastecimento de água e esgotamento sanitário.
Comerciantes pedem agilidade
Representantes da Associação dos Empreendedores do Shopping Popular afirmaram que a demora na conclusão do novo camelódromo tem provocado prejuízos financeiros, principalmente devido à deterioração de mercadorias armazenadas desde a interdição.

Durante a reunião, os comerciantes solicitaram maior celeridade nas obras para que possam retomar as atividades o quanto antes.
Já o representante da Secretaria Municipal do Trabalho, Desenvolvimento Econômico e Inovação (Semtradi) informou que o prédio interditado ainda apresenta risco estrutural e pediu prazo para a conclusão da nova estrutura na avenida Coaracy Nunes.
Em 30 dias, deverão ser apresentados:
- laudo técnico complementar e atualizado sobre a situação estrutural do Shopping Popular;
- investigação atualizada das fundações do prédio;
- dados do monitoramento topográfico;
- modelagem estrutural e memória de cálculo.
Organização do trânsito

O Ministério Público também determinou que a Secretaria Municipal de Habitação e Urbanismo (Semhou) e a Companhia de Trânsito e Transporte de Macapá (CTMac) atuem de forma integrada na organização da área onde funcionará o novo espaço.
Entre as medidas previstas estão a reorganização do tráfego, a delimitação das áreas de estacionamento, a implantação de sinalização horizontal e vertical, a criação de vagas exclusivas para idosos e pessoas com deficiência (PCDs) e a fiscalização permanente para evitar estacionamento irregular, filas duplas e o bloqueio das garagens dos moradores.
Veja na íntegra o posicionamento da promotora de Justiça Caroline Montenegro:
“O Ministério Público é um órgão de fiscalização e, portanto, não pode substituir o gestor público nas escolhas administrativas que lhe competem. O local destinado ao Camelódromo foi definido pela gestão municipal da época como a alternativa considerada mais adequada e, atualmente, as obras seguem um cronograma, com previsão de ingresso parcial dos comerciantes já nos próximos dias.
Nesse cenário, uma das principais preocupações do Ministério Público é assegurar que os comerciantes, afastados de seus postos de trabalho desde a interdição do Shopping Popular, tenham condições concretas de retomar suas atividades e garantir a própria subsistência e a de suas famílias. Estamos falando de trabalhadores que dependem diretamente da comercialização de seus produtos para a manutenção da renda familiar e que já enfrentam um período prolongado de paralisação, com perda de mercadorias e prejuízos econômicos. Por isso, o Ministério Público segue fiscalizando de forma rigorosa a conclusão das obras e cobrando celeridade e respostas objetivas do Poder Público.
Ao mesmo tempo, continuamos acompanhando a situação do prédio original do Shopping Popular e cobrando a adoção das medidas necessárias para que as obras sejam efetivamente realizadas, permitindo que os comerciantes possam, tão logo seja possível e com a devida segurança, retornar ao seu espaço definitivo. É importante destacar que o Camelódromo da Avenida Coaracy Nunes possui caráter provisório e não representa uma solução permanente. Paralelamente, o Ministério Público segue fiscalizando o ordenamento urbano no entorno, com o objetivo de minimizar, ao máximo, os impactos suportados pelos moradores, especialmente em relação ao trânsito, às áreas de estacionamento, ao fluxo de veículos, à segurança viária e ao acesso às residências. Buscamos, portanto, garantir a subsistência e o retorno ao trabalho dos comerciantes, sem ignorar os direitos e as legítimas preocupações dos moradores.”



