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Jocildo declarou ter deixado a Amprev ao pedir R$ 10 milhões do Governo para o Carnaval do Amapá

Documentos revelados pela Folha de S.Paulo mostram que o ex-presidente da Amapá Previdência se apresentou como ex-dirigente do órgão quando ainda ocupava o cargo. Ministério Público investiga possível conflito de interesses.

O ex-presidente da Amapá Previdência (Amprev), Jocildo Silva Lemos, declarou que já havia deixado o comando da instituição ao solicitar ao Governo do Amapá um patrocínio de R$ 10 milhões para o Carnaval de 2026. No entanto, documentos oficiais indicam que ele permanecia na presidência do órgão previdenciário.

A informação foi revelada nesta quarta-feira (21) em reportagem da Folha de S.Paulo, assinada pelo jornalista Vinicius Sassine.

Jocildo acumulava, naquele período, a presidência da Amprev e da Liga Independente das Escolas de Samba do Amapá (Liesap), entidade responsável pela organização dos desfiles carnavalescos em Macapá.

O pedido de patrocínio foi apresentado à Secretaria de Turismo em 25 de junho de 2025. Na documentação, Jocildo se identificou como ex-diretor-presidente da Amprev e declarou que a Liesap não possuía dirigentes de órgãos públicos estaduais em sua direção.

Entretanto, registros do Diário Oficial e atas de reuniões demonstram que ele continuava exercendo funções na Amapá Previdência. No dia seguinte à solicitação, inclusive, presidiu uma reunião do Conselho Estadual de Previdência.

Patrocínio foi aprovado pelo Governo

Casal de mestre-sala e porta-bandeira se apresenta diante do público durante atividade de escola de samba no Amapá.

O pedido de R$ 10 milhões foi aprovado por unanimidade pelo Comitê de Patrocínio do Governo do Amapá em 2 de julho de 2025.

O contrato foi assinado em 31 de julho pela então secretária de Turismo, Syntia Lamarão, e por Jocildo, representando a Liesap.

O dinheiro foi repassado à entidade e utilizado na realização do Carnaval de 2026. A prestação de contas foi posteriormente aprovada pelo Governo.

A legislação estabelece restrições à celebração de determinadas parcerias entre a administração pública e organizações que tenham dirigentes ocupando cargos de direção em órgãos da mesma esfera governamental.

O Ministério Público do Amapá instaurou um inquérito civil para apurar possíveis irregularidades, incluindo conflito de interesses e improbidade administrativa.

Ligação com o caso Banco Master

Jocildo também está entre os investigados pela Polícia Federal no caso das aplicações de R$ 400 milhões da Amprev em letras financeiras do Banco Master.

Ele deixou a presidência da autarquia em fevereiro de 2026, após uma operação da Polícia Federal que investigava suspeitas de gestão fraudulenta e temerária dos recursos previdenciários.

Apesar da saída da Amprev, permaneceu à frente da Liesap.

O ex-dirigente também mantém ligação política com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para quem já atuou como tesoureiro de campanha.

Segundo o levantamento da Folha, a Liesap recebeu R$ 22,5 milhões em recursos públicos para os carnavais de 2025 e 2026, entre repasses estaduais e emendas parlamentares.

Governo nega conflito de interesses

O Governo do Amapá sustenta que não houve conflito de interesses, argumentando que o convênio foi firmado diretamente com a Liesap, sem participação da Amprev na transferência dos recursos.

A gestão estadual também afirmou que os repasses observaram os critérios técnicos e legais.

A assessoria de Davi Alcolumbre informou que o senador atuou por meio de articulação institucional em apoio ao Carnaval, mas não participa da administração financeira da Liesap nem interfere na escolha de seus dirigentes.

Jocildo e a Liesap não responderam aos questionamentos enviados pela Folha para a reportagem original.

As investigações seguem em andamento, sem conclusão definitiva sobre eventual responsabilidade dos envolvidos.

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