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Toda criança precisa brincar: como estimular brincadeiras com crianças atípicas

Além do diagnóstico, é preciso considerar seu nível de suporte, habilidades e interesses assim como fazemos com qualquer criança

O brincar é a linguagem da infância. É assim que elas exploram, aprendem e se comunicam com o mundo ao seu redor. E, por isso, não existe um jeito único, toda criança tem sua forma de brincar.

Quando falamos em crianças atípicas, o primeiro cuidado é não pré-julgar a criança e procurar uma fórmula pronta. O diagnóstico e a idade ajudam a compreender aquela criança, mas não dizem, sozinhos, como ela brinca, se comunica ou participa. É preciso considerar seus interesses, suas habilidades e o nível de suporte que ela precisa.

Aliás, exatamente como fazemos com crianças típicas e nem percebemos.

Quando falamos em crianças neurodivergentes, estamos falando de um universo muito amplo, com diferentes condições, espectros, níveis de suporte e formas de desenvolvimento. Por isso, não existe uma orientação única que sirva para todas”, afirma Marcela Oliveira, fisioterapeuta, pesquisadora e especialista em Neuroreabilitação Infantil, e diretora da Clínica Follow Kids.

No entanto, Marcela explica que existem alguns passos que podem nos guiar na hora de brincar e ensinar nossos filhos a brincar com crianças atípicas:

  • Comece pelo interesse da criança: Animais, músicas, carrinhos, personagens ou qualquer outro interesse que ela já tenha podem entrar na brincadeira. Muitas vezes, o adulto pensa primeiro no que gostaria de ensinar, quando o caminho mais fácil para criar uma troca é começar por aquilo que já desperta curiosidade e prazer na criança.
  • Mostre e espere: Essa espera é importante. Depois de mostrar uma brincadeira ou fazer um convite, dê tempo para a criança compreender e responder antes de repetir, insistir ou fazer por ela. E a resposta não significa apenas fala. Um olhar, um gesto, apontar, se aproximar ou usar uma comunicação alternativa também podem ser maneiras de dizer “eu quero”, “não quero” ou “quero mais”.
  • Ajude, mas não faça tudo por ela: Algumas crianças precisarão apenas de uma demonstração; outras, de apoio físico, materiais mais acessíveis ou de uma atividade dividida em etapas menores. O importante é oferecer o suporte necessário sem retirar da criança aquilo que ela já consegue fazer. Se ela consegue colocar uma peça, escolher um objeto ou realizar uma etapa sozinha, deixe que faça.
  • Preste atenção ao que a criança está dizendo, mesmo sem palavras: Barulho, textura, movimento, excesso de estímulos ou simplesmente o tempo da brincadeira podem gerar desconforto. Se a criança demonstra cansaço ou recusa, não significa necessariamente que “não sabe brincar”. Talvez aquela proposta precise ser adaptada. Às vezes, diminuir o barulho, mudar um material, reduzir o tempo ou fazer uma pausa é suficiente para que ela consiga participar.
  • Valorize a participação, não apenas o resultado: Nem sempre o mais importante será completar a atividade. Escolher, tentar, iniciar uma interação, compartilhar, esperar a vez, pedir ajuda ou conseguir fazer alguma coisa com menos suporte já podem representar avanços importantes. A brincadeira não precisa terminar do mesmo jeito para todas as crianças para ter sido significativa.

Inclusão tem benefício para todos os lados

A convivência desde cedo entre crianças e famílias típicas e atípicas ajuda a perceber que nem todo mundo brinca, se comunica ou reage da mesma maneira – e que isso não significa que alguém seja menos capaz de brincar, fazer amigos ou participar das atividades.

Mais do que ensinar uma criança a “incluir” o outro, esses encontros mostram que cada um pode contribuir para a brincadeira do seu próprio jeito.

Afinal, saber lidar com a diversidade (e com adversidades) é uma habilidade importantíssima para o desenvolvimento das crianças e para a vida futura delas. E aqui eu estou falando de crianças típicas e atípicas!

 

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