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Ferrovia de 490 km no Peru atravessa 68 túneis, 55 pontes e 9 curvas em zigue-zague para subir quase 4.800 metros nos Andes

Obra iniciada em 1870 levou 38 anos para ser concluída e ainda transporta minerais, cimento, combustível e passageiros entre Lima e o interior do país

A ferrovia no Peru que atravessa a Cordilheira dos Andes percorre cerca de 490 quilômetros entre o litoral e o interior do país, passando por Lima e vencendo um terreno marcado por grandes diferenças de altitude. Conhecida como Ferrovia Central do Peru, a linha reúne 68 túneis, 55 pontes e 9 trechos em zigue-zague, além de chegar a pontos situados acima dos 4.800 metros de altitude.

A construção começou em 1870 e avançou durante décadas entre dificuldades técnicas, interrupções e mudanças na administração do projeto. A ligação chegou a La Oroya em 1893, enquanto Huancayo foi alcançada em 1908, completando um processo de expansão ferroviária que atravessou 38 anos entre o início das obras e essa etapa final.

O traçado da Ferrovia Central começa na região portuária de Callao, às margens do Pacífico, passa pela capital Lima e segue em direção à Cordilheira dos Andes. Ao chegar a La Oroya, a rede se divide em ramais que ajudam a conectar a região metropolitana a localidades do interior, incluindo Cerro de Pasco e Huancayo.

No total, a ferrovia no Peru reúne aproximadamente 490 quilômetros de linhas e 34 estações, atravessando ambientes que mudam drasticamente ao longo do caminho. O trem sai de áreas próximas ao nível do mar e avança por vales, regiões áridas e paisagens de grande altitude, característica que transformou sua implantação em um desafio de engenharia ainda no século XIX.

68 túneis permitem atravessar a barreira formada pelas montanhas

A geografia obrigou os engenheiros a abrir 68 túneis ao longo da rota. Em vez de simplesmente contornar todas as elevações, vários segmentos precisaram atravessar diretamente a rocha para permitir que a ferrovia mantivesse um traçado capaz de avançar em direção às áreas mais elevadas dos Andes.

Essas passagens subterrâneas são parte fundamental de uma ferrovia construída numa época em que escavações, movimentação de materiais e implantação de trilhos dependiam de recursos muito mais limitados do que os disponíveis atualmente. Cada túnel reduzia obstáculos impostos pelas montanhas, mas acrescentava complexidade, tempo e riscos ao empreendimento.

Outras 55 pontes fazem os trilhos cruzarem vales e rios

O caminho também exigiu a construção de 55 pontes, necessárias para atravessar desníveis, cursos d’água e diferentes formações encontradas ao longo da cordilheira. Esses elementos permitiram manter a continuidade do traçado em locais onde seria impraticável instalar os trilhos diretamente sobre o terreno.

Parte dos materiais utilizados na construção precisou percorrer longas distâncias antes de chegar aos canteiros. Conforme relatado pela fonte, ferro, carvão, máquinas, madeira e componentes de pontes foram transportados para a região, incluindo estruturas e materiais provenientes de países como Inglaterra, França e Estados Unidos.

Nove zigue-zagues ajudam o trem a ganhar altitude

Uma das soluções mais características da ferrovia no Peru são os 9 trechos em zigue-zague. Neles, o trem utiliza mudanças sucessivas de direção para avançar por áreas muito inclinadas, evitando uma subida direta que ultrapassaria as limitações de inclinação aceitáveis para uma ferrovia convencional.

O princípio permite ganhar altitude em uma distância maior, distribuindo a elevação pelo percurso. Em um território com encostas abruptas, não bastava simplesmente apontar os trilhos para o alto da montanha. O desenho precisava adaptar a ferrovia ao relevo e às capacidades dos trens que utilizariam a linha.

Túnel Galera fica a 4.782 metros acima do nível do mar

A altitude é outro dos números que diferenciam a Ferrovia Central. O Túnel Galera está situado a aproximadamente 4.782 metros acima do nível do mar, colocando o trajeto entre as linhas ferroviárias de maior altitude da América do Sul dentro de sua categoria de bitola.

Há ainda um ponto conhecido como La Cima, localizado a cerca de 4.835 metros de altitude. Durante décadas, a ferrovia ficou associada ao recorde mundial de altura, até que novas linhas construídas em outras partes do mundo ultrapassaram essas marcas, incluindo a ferrovia Qinghai-Tibete, na China.

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