Ideb avança pouco em 2025 e segue longe da meta para o ensino médio
Ideb mostra que meta para o ensino médio segue distante na rede pública

A educação brasileira avançou pouco no país, segundo os indicadores de 2025 do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), divulgados hoje pelo governo federal. Apesar de os índices terem melhorado nas três etapas de aprendizagem, o Brasil só conseguiu superar a meta estabelecida nos anos iniciais do ensino fundamental (1º ao 5º ano).
O ensino médio segue como o nível mais desafiador. Nessa fase, nenhuma rede estadual alcançou a nota almejada e somente seis ficaram acima da média nacional (sem levar em conta a integração com o ensino técnico). São eles: Paraná, Goiás, Espírito Santo, Piauí, Pernambuco e Rio Grande do Sul.

O Ministério da Educação comemorou os resultados e destacou a redução do número de municípios com média até 4,9 nos anos iniciais do ensino fundamental. Em 2023 eram 1.97 e agora, 442. Para o próximo ciclo, a pasta se comprometeu a acompanhar de perto esse grupo e prestar a assistência técnica necessária para a recuperação da aprendizagem.
Mas, segundo afirmou o ministro da educação, Leonardo Barchini, o foco do governo para o próximo ciclo será reforçar a educação nos anos finais do ensino fundamental (6º ao 9º ano) e também no ensino médio. “Toda a estratégia do ministério, que vamos apresentar em outubro, conforme estabelecido pelo Plano Nacional de Educação, tem como foco a aprendizagem nessas etapas, sem, claro, esquecer a equidade.”
Para especialistas ouvidos pelo UOL, os dados revelam apenas uma tendência de retomada dos patamares anteriores à pandemia de covid-19. Esse movimento é impulsionado não necessariamente por uma melhora consistente no aprendizado, mas também por taxas altas de aprovação, um dos critérios que compõem o índice.
O que aconteceu?
- Notas subiram, mas avanços na rede pública são tímidos: Entre 2023 e 2025, o Ideb registrou melhora discreta em todas as etapas (em uma escala que vai de zero a dez, incluindo redes pública e privada). No entanto, quando isolamos a rede pública, o crescimento é ainda menor. Veja os dados:
- Fundamental 1 (1º ao 5º ano): média geral de 6 para 6,3, Na rede pública, de 5,7 para 6,1
- Fundamental 2 (6º ao 9º ano): média geral de 5 para 5,3. Na rede pública, de 4,7 para 5.
- Ensino Médio: média geral de 4,3 para 4,5. Na rede pública, de 4,1 para 4,3.
- Meta foi alcançada apenas no fundamental 1: Os estudantes dos anos iniciais do ensino fundamental foram os únicos a superar a meta estabelecida (que era nota 6), feito registrado tanto no resultado geral quanto na rede pública isolada. O Ideb 2025 descreve a realidade de 14,5 milhões de matrículas nos anos iniciais do ensino fundamental em 101 mil escolas. Nos anos finais, retrata 11,2 milhões de matrículas em 61 mil escolas. Em relação ao ensino médio, os resultados correspondem a 7,3 milhões de matrículas em 30 mil escolas.
Médias nacionais
Ensino Fundamental (anos iniciais: do 1º ao 5º ano) – Brasil

- No fundamental 1: Enquanto a rede pública atingiu 6,1, as escolas particulares fecharam a nota em 7,1.
- No fundamental 2: A distância é de 1,4 ponto. A média das escolas públicas ficou em 5,0 (abaixo da meta de 5,5), enquanto a rede privada alcançou 6,4.
“Há escolas em que a melhora chama atenção, visto não ser comum de um ano para outro, ou em curto período, ocorrer uma melhora na aprendizagem tão significativa”, disse Márcia Aparecida Jacomini, doutora em educação pela USP e professora da Unifesp
A pesquisadora se refere a saltos registrados em redes públicas de 2023 para cá. Em Minas, por exemplo, o município de Novo Oriente de Minas registrou ideb 9,3 nos anos iniciais do ensino fundamental – há dois anos, esse índice ficou em 4,7.
Médias nacionais
Ensino Fundamental (anos finais: do 6º ao 9º ano) – Brasil
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Pé de Meia não interfere na nota
Só rede privada supera meta no ensino médio. O Ideb do ensino médio subiu timidamente nas três análises. O avanço foi exatamente o mesmo (0,2 pontos) no índice geral (de 4,3 para 4,5), na rede pública (de 4,1 para 4,3) e na rede privada (de 5,6 para 5,8). Mais uma vez, o setor privado foi o único a superar a meta estipulada para a etapa, que era de 5,2.
Médias nacionais
Ensino Médio
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- Aposta do governo Lula ainda não reflete no aprendizado: Os dados mostram que o programa Pé de Meia fez pouca diferença em seu primeiro ano de implementação. Lançada em janeiro de 2024, a iniciativa concede um auxílio mensal de R$ 200 a alunos de baixa renda que frequentam as aulas, além de bônus anuais por aprovação.
- Medida tem como meta garantir permanência na escola: O professor Fernando Cássio, da Faculdade de Educação da USP, explica que o programa é baseado em uma política de incentivo individual para o estudante não evadir da escola.
“Ele não qualifica a permanência deste aluno do ensino médio nem melhora a escola ou o currículo”, disse Fernando Cássio, professor da USP
Para o especialista, o que realmente poderia mudar o cenário de forma positiva seria a oferta de uma carga horária adequada na reforma do ensino médio. Algo que hoje é descumprido em estados como Amazonas, Bahia, Pará, Santa Catarina e Minas Gerais.
- Etapa registrou maior evolução no Rio Grande do Sul e no Rio Grande do Norte: O Rio Grande do Sul e o Rio Grande do Norte foram os estados que registraram a maior evolução no ensino médio, com alta de 0,8 ponto entre 2023 e 2025. O avanço levou a rede estadual gaúcha à terceira posição do ranking nacional e tirou os potiguares da lanterna do índice de 2023, posicionando-os agora em décimo lugar (sem contar a integração com o ensino técnico).
Ensino integrado à educação profissional eleva notas
- Divulgação conjunta favorece alguns estados: São Paulo é exemplo. Quando analisado o ranking do ensino médio que contabiliza escolas com educação integral profissionalizante e tecnológica, a nota paulista passa de 4,3 para 4,5. E cresce ainda mais quando se faz a média dos dois modelos (o estadual de meio período com o integral). Neste caso, vai a 4,7. Os mesmos resultados positivos são observados nas redes do Piauí, que vai a 5 (na média total), e do Rio Grande do Sul, que passa de 4,7 para 4,9.
- Alta não é regra: A adoção de modelos de ensino integral e técnico não eleva os dados em todos os estados. Em Goiás, por exemplo, a nota cai de 4,9 (no sistema estadual de meio período) para 4,8 (na média total, incluindo o modelo integral). Em outros, como Pernambuco e Espírito Santo, não há mudança.
- Metas devem mudar: Também em outubro, o MEC deve apresentar uma proposta de alteração das metas atuais para cada etapa da educação básica. A sugestão será debatida com a sociedade antes de ser oficializada.



