Paquetá: De risco de banimento a titular e principal jogador do meio-campo do Brasil na Copa do Mundo

New Jersey, Estados Unidos.
“Foi Deus”: Esta é a explicação de Paquetá para a incrível reviravolta não só na sua carreira, como na vida.
Ele foi acusado de manipulação de apostas.
A Associação de Futebol da Inglaterra anunciou ao mundo que ele seria investigado por tomar cartões para favorecer apostadores. A pena, se considerado culpado, seria banimento do futebol. Aos 27 anos. Paquetá sempre negou as acusações.
O processo começou no dia 24 de maio de 2024. E só foi terminar no dia 25 de julho de 2025, com a determinação de sua inocência. Mas, em um ano e dois meses, acontecem muitas mudanças no mundo.
Paquetá perdeu a chance de deixar o West Ham para jogar no Manchester City, pedido pelo próprio Guardiola. O choque, com a desistência da direção inglesa, por conta das acusações, foi enorme para o brasileiro.
Além disso, ficou fora de várias convocações enquanto seu caso ainda não havia tido um desfecho.
Decepcionado com o mercado europeu fechado, mesmo com a declaração de sua inocência, ele decidiu voltar para o Flamengo, ‘sua casa’.
E acreditou que o clube o levaria à nova Copa do Mundo.
Perguntado sobre a reviravolta que vive, é direto. “Foi Deus!”
Sobre o Flamengo, ele falou: “Estava muito convicto da minha decisão. Depois de tudo que passei, eu tinha muito claro na minha cabeça o que eu queria. Eu queria reviver esse sonho de vestir a camisa do Flamengo. Claro que a Seleção sempre foi um objetivo, mas independentemente de clube, eu teria que estar fazendo o melhor no meu clube para alcançar espaço na Seleção”
Ancelotti não o convocou em março, para dois amistosos que seriam ‘decisivos’.
Mas veio a chamada final para a Copa e não se esqueceu de Paquetá.
Ancelotti o queria na ponta direita, apostando que bastariam Casemiro e Bruno Guimarães como jogadores de contenção, de marcação.
Mas a pressão que o Brasil tomou do Marrocos no primeiro tempo fez o italiano mudar o esquema utópico de quatro atacantes. Paquetá foi para onde rende mais e adora jogar: pelo meio.
Foi assim que deu vários lançamentos para Vinicius Júnior, Raphinha. Aliás, os dois chegam à Copa para provar que podem jogar tão bem quanto nos clubes.
E a dupla se apoia.
“A gente tem uma amizade muito bonita, de muito tempo. Vi o Vini ainda muito novinho, criamos esse laço desde a época do Flamengo. A gente fica muito feliz de estar junto, independentemente de estar na seleção ou torcendo de longe. É um cara que admiro muito, tenho respeito enorme por ele. Sem dúvida que estar com ele aqui e vivendo mais uma Copa do Mundo é especial demais para nós”
Os dois se abraçaram demoradamente após a partida contra o Haiti. Vinicius Júnior marcou depois de excelente lançamento de Paquetá.
Ancelotti nem pensa em recolocá-lo na ponta direita.
Ele viu que o meia do Flamengo complementou Casemiro e Bruno Guimarães.
“Para esse segundo jogo, a gente já foi um pouco mais definido de jogar com três no meio, diferentemente do outro jogo, em que eu começava por fora e flutuava por dentro com um pouco mais de liberdade. Acho que essa mudança um pouco tática acaba definindo melhor a maneira que a gente vai se entender dentro de campo”
Ele fala com autoridade.
É respeitado pela própria imprensa que não o queria convocado, pelas acusações de suposto envolvimento em esquemas de apostas.
Para completar a reviravolta na sua vida, Paquetá sabe.
A conquista do hexacampeonato.
E é o que mais quer, aqui nos Estados Unidos…



